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  • Desenvolvimento pessoal e profissional no programa de Jovem Aprendiz da Eco Caminhos

    Desenvolvimento pessoal e profissional no programa de Jovem Aprendiz da Eco Caminhos

    A Eco Caminhos realiza uma missão social voltada à capacitação e aprendizagem de jovens brasileiros de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade social e, diante dessa proposta, possui o projeto de Jovem Aprendiz. Atualmente, moram e trabalham na ecofazenda dois rapazes nesse programa: Marcelino e Cleiton.

    Os jovens mostram motivação e são instruídos nas diversas áreas de atuação da ecofazenda, como: bioconstrução, agrofloresta e agricultura orgânica. Além de estarem aprendendo a viver em comunidade e seguindo os fundamentos da permacultura. Aqueles que precisam terminar os seus estudos, são matriculados e conciliam o trabalho com as tarefas escolares.

    Workshop com jovens aprendizes sobre aprendizagem em agricultura

    Experiência e Aprendizagem

    O programa é completo, não só como uma oportunidade de aprendizado nessas áreas, mas também no crescimento pessoal. Cleiton já esteve na fazenda anteriormente, porém foi desligado devido ao comportamento e a falta de motivação. Pediu uma segunda chance e agora, determinado a crescer pessoal e profissionalmente, ele aperfeiçoou os conhecimentos adquiridos na estadia anterior e conseguiu um trabalho remunerado como assistente de bioconstrução em uma obra projetada pela Eco Caminhos.

    Jovens aprendizes aprendizagem em peneirar

    Aprender a conviver com pessoas de todo o mundo aumenta o conhecimento de novas culturas, senso de desenvolvimento comunitário, se tornando parte de uma equipe e tirando o foco individual, e no desenvolvimento de responsabilidades e de habilidades nas tarefas caseiras. Como o Marcelino, que aprimorou o gosto pela agricultura orgânica e estudou sobre a implementação de uma agrofloresta, além de aprender a cozinhar, para si e para todos que habitam aqui, e melhorar na comunicação a partir da convivência com diversas pessoas.

    Jovem Aprendiz aprendizagem cortando bananeira

    A Eco Caminhos acredita no desenvolvimento pessoal daqueles que entram em contato direto com a natureza, aprendem a importância da agricultura orgânica e da construção natural. Durante os primeiros seis meses do ano de 2020, outro rapaz participou do programa e se desenvolveu muito na área de agrofloresta e na implementação de sistemas de irrigação. Além disso, agregou conhecimento em inglês, devido às aulas de inglês que organizamos na fazenda, e melhorou no convívio social. Porém, é essencial que o jovem esteja aberto a aprender e ter motivação e, na falta dessas características, solicitamos que se retire da fazenda.

    Mais benefícios do Programa

    Jovens Aprendizes aprendizagem na ecofazenda

    Os rapazes possuem acomodação, alimentação, aprendizado completo e uma ajuda de custo de R$400,00, para auxiliar os familiares, no transporte e em seus projetos pessoais. A Eco Caminhos incentiva o crescimento pessoal e profissional de pessoas que necessitam e acredita que a educação é a melhor maneira de melhorar de vida e criar uma sociedade mais igualitária e segura.

  • Sarita | Austríaca fala da sua experiência no voluntariado de curto prazo na fazenda ecológica

    Sarita | Austríaca fala da sua experiência no voluntariado de curto prazo na fazenda ecológica

    A Eco Caminhos possui diversos programas para voluntários, sendo um deles o voluntariado de curto prazo. Sarita Schenkermayr, 29 anos, participou da experiência por 4 meses. Ela conta como foi a sua rotina e o que a ecofazenda agregou de positivo para a sua vida.

    “O que eu estava procurando na fazenda foi, primeiramente, experimentar a vida calma e tranquila da área rural brasileira, enquanto aprendo sobre agricultura orgânica e construção natural, conhecer mais o Brasil e aperfeiçoar o meu português”.

    Sarita ficou na fazenda ecológica entre Janeiro e Abril de 2020 e relata como foi a sua vivência, mesmo com as adversidades geradas pelo COVID-19:

    “Cardinot é um bairro bem isolado, então estávamos relativamente seguros e distantes dos focos do corona vírus e, além disso, ainda podíamos andar livremente e explorar a grande área da fazenda, aproveitando bem a natureza. As montanhas, florestas e cachoeiras formam um pequeno paraíso na terra, com um surpreso clima europeu, e eu nunca me cansava de aproveitar os meus dias ao ar livre”.

    Sarita explica como era a sua rotina na fazenda e o que pode aprender e colocar em prática:

    “Cada a semana era um pouco diferente, mas normalmente as funções e áreas de atuação eram decididas durante a reunião semanal nas quintas-feiras.

    O dia começa bem cedo na fazenda: às 7h, pontualmente, todos devem estar prontos para subir na caminhonete e seguir a colina acima para a área da bioconstrução ou a horta e agrofloresta. Antes do almoço às 12h, tem uma pequena pausa para o café, em torno de 9h30, e o trabalho termina por volta de 16h ou 16h30.

    Como voluntária de curto prazo, eu tinha as terças-feiras e quintas-feiras livres e nos dias de trabalho eu, na maioria das vezes, ajudava na horta ou na agrofloresta, colhendo, coletando e arrumando o material orgânico para os canteiros dos vegetais e plantando, tudo isso com explicação e orientação de como fazer e o porquê.

    agroforestry-organic-farming

    Durante a minha estadia na Eco Caminhos, as paredes da construção natural do Eco Lodge estavam finalizando e teve mais algumas semanas intensas, nas quais todos estavam trabalhando nisso, adicionando à mão e aos poucos pedaços o material ecológico no topo das paredes. Nos dias de chuva forte, mudavam para um trabalho coberto, como por exemplo, terminar as paredes internas do galinheiro. Muitas vezes, nós trabalhávamos na chuva, então eu recomendo levar uma capa de chuva e galochas.

    A maioria dos voluntários cozinhavam o almoço para todos, então uma ou duas vezes por semana eu utilizava a manhã para cozinhar (geralmente, arroz, feijão, salada e variando os acompanhamentos) e muitas vezes com mais uma pessoa.

    Na volta para a casa dos voluntários, todos estavam livras para fazer o que quiserem. Nas terças tinha a opção de participar das aulas de Inglês, como também, das aulas de Português nas quintas. Nas noites de quarta-feira, tínhamos a noite dos voluntários, que resumia em lanchar e sentar em volta da fogueira, mas também teve dias em que jogamos e fizemos uma noite de karaokê. E nos finais de semanas, podíamos utilizar o projetor e ver filmes juntos.

    Os finais de semana eram livres também e, para os voluntários, normalmente tem uma atividade planejada. Nas semanas que estive lá, por exemplo, eu visitei muitas cachoeiras, fiz trilhas, viajei para uma praia a umas horas de distância, visitei uma queijaria local e uma antiga plantação de café, fiz passeio a cavalo e fui à cidade comer açaí e pizzas brasileiras”.

    Sarita salienta que está feliz com a experiência que teve na fazenda ecológica.

    “Eu estou agradecida e feliz pela minha experiência e ansiosa para ver como aquela pequena fazenda permacultural, lutando para ser autossustentável, vai se desenvolver no futuro”.

    Confira as oportunidades de voluntariado e participe do nosso projeto!

  • Eco Caminhos traz o estilo de vida como solução em momentos de crise e adversidades mundiais

    Eco Caminhos traz o estilo de vida como solução em momentos de crise e adversidades mundiais

    Membros da Eco Caminhos ressaltam o como a vida numa fazenda autossuntentável traz benefícios para quem vive nesse estilo e também como é possível ajudar as pessoas que necessitam nos momentos de crise e instabilidade global.

    A vida numa ecofazenda está sempre em constante movimento e aprendizado, tanto físico quanto mental. Esse caminho mostra importância de cultivar seus próprios alimentos e projetos de construção todos os dias, mesmo em momentos de adversidades.

    A quarentena e dificuldades geradas pelo COVID-19 trouxeram reflexões sobre o que poderia ser feito em benefício dos habitantes da ecofazenda e como poderia ajudar a comunidade local. Bart Bijen, responsável da Eco Caminhos, entrou em parceria com a campanha SOS Favelas, uma realização do Viva Rio e da Academia Pérolas Negras, para realizar a doação de 50 cestas básicas para famílias carentes de Cardinot.

    Além dos alimentos da cesta básica e produtos de higiene pessoal, a Eco Caminhos aumentou a sua produção e doou produtos orgânicos da horta, como alface, chicória e hortelã, e também obteve doações de outros membros da comunidade, que trouxeram couve-flor e chuchu.

    “Além das cestas, conseguimos também vários legumes, como couve-flor e alface, que estamos complementando as cestas. Gostaria de agradecer a todas as pessoas que ajudaram e que participaram da campanha. Estamos muito agradecidos em poder ajudar”, disse Bart.

    A entrega das cestas foi realizada durante um dia, com o cadastro prévio das famílias beneficiadas, espaçamento de horários para evitar aglomerações, equipe com máscaras e álcool em gel disponível para todos.

    Para disseminar esse pensamento solidário, a equipe da Eco Caminhos produziu um vídeo sobre a campanha:

     

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    A Eco Caminhos, fazenda autossustentável localizada nas montanhas de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Brasil, recebe voluntários de diversos países e busca alinhar a vivência em comunidade com o estilo de vida junto à natureza. O projeto reúne pessoas para aprenderem sobre permacultura, bioconstrução, agrofloresta, agricultura orgânica e a crescer pessoalmente.

  • Forma alternativa de montar a sua ecovila – Ideias pós-corona

    Forma alternativa de montar a sua ecovila – Ideias pós-corona

    Eco Caminhos é uma comunidade intencional no Brasil com o objetivo de tornar-se mais socialmente, culturalmente, economicamente e/ou ecologicamente sustentável. Com o mundo em crise, nós decidimos encontrar uma abordagem diferente para a vida. Nós, a Família Bijen (Hilaine, Bart e nossos filhos Nico e Lucas), compramos uma propriedade perto de Nova Fribrugo no Estado do Rio de Janeiro, Brasil, há cerca de 6 anos. Eu gostaria de compartilhar uma configuração alternativa para comunidades e explicar as minhas razões para fazer essa abordagem.

     

    Nossa experiência vivendo em uma comunidade antes da Eco Caminhos

    Minha esposa e eu vivemos em uma comunidade rural em um projeto de orfanato por 6 anos no Brasil. O orfanato era uma associação sem fins lucrativos com uma diretoria. Eu era parte da diretoria. Algumas famílias habitavam na propriedade rural em que recebíamos as crianças. Nós compartilhávamos uma cozinha, uma horta orgânica e tomávamos conta de 20 crianças. Grandes decisões eram tomadas democraticamente, mas nós ainda dependíamos de doações. Então eu decidi começar uma escola de Língua Portuguesa no Rio de Janeiro para gerar receita. Recentemente, a escola tornou-se a maior escola de Português para estrangeiros no Brasil.

    As coisas boas/ótimas que vivenciamos na comunidade

    • Viver simples e longe do consumo nos deixa mais felizes;
    • Ajudar pessoas necessitadas é incrivelmente recompensador;
    • Crescimento pessoal pela exposição na comunidade;
    • Percebendo que a agricultura orgânica é terapêutica e meditativa para qualquer ser humano;
    • Quando nos conectamos, nós alcançamos coisas incríveis que seria impossível de alcançar individualmente;
    • Idade não é importante. O que importa é que você se entregue à comunidade.

    Desafios que vivenciamos na comunidade

    • É realmente difícil conviver com muitas pessoas com diferentes ideias e passados;
    • Há pessoas que fazem muito e outras que fazem pouco ou nada e, ainda assim, a tomada de decisões é democrática. Isso pode ser injusto e pode causar tensões;
    • Tomar decisões democraticamente é muito devagar;
    • Depender de doações é impossível em países como o Brasil;
    • Eu senti que a nossa ecovila era separada da comunidade local;
    • Nós dependíamos totalmente de doações;
    • Todos queriam decidir onde investir e como gastar o dinheiro, mas poucos estavam preparados a arrecadar fundos.

    Depois de 6 anos incríveis, nós decidimos sair, pois não fomos capazes de superar a maioria dos desafios. Se você percebesse como é desafiador manter o seu casamento unido e forte, só imagine como fazer isso enquanto vive com várias famílias e seus filhos, cachorros e gatos. Eu percebi que nós simplesmente não estávamos evoluídos o suficiente para lidar com esses desafios. Voltamos para a Holanda para passar o tempo com a minha família e repensar o nosso futuro. Nesse meio tempo, nossos 2 filhos nasceram.

    Dois anos depois, nós chegamos à conclusão de que o mundo capitalista não era para nós e decidimos desenvolver uma abordagem diferente para a construção da ecovila – uma que usa o melhor dos dois mundos.

    Então, como funciona essa configuração alternativa de ecovila?

    Na verdade, não é tão complexo. Pegue uma vila rural comum como exemplo. Todos possuem a sua propriedade e casa com as suas regras e políticas. No nosso plano, a grande diferença é que tentamos colaborar mais, compartilhar da filosofia da permacultura, trocar conhecimento e recursos, crescer e aprender juntos. Estimulamos pessoas com essa visão para entrar na vizinhança. Haverá vizinhos da comunidade local que não vão querer se envolver de forma alguma, enquanto haverá outros que querem estar um pouco envolvidos e ainda alguns que realmente querem participar. E está tudo bem.

     

    Atualmente, nós temos 3 famílias estabelecidas que vieram morar na vizinhança para participar da nossa organização. Nós trabalhamos juntos em troca de conhecimento em permacultura, agrofloresta e bioconstrução. Nós ajudamos uns aos outros, fazemos eventos, passeio a cavalo juntos e até compartilhamos simples piqueniques. Todos podem beneficiar-se do programa de turismo, no qual oferece uma ampla variedade de opções de acomodação, conhecimento e de atividades. O sucesso dessa ecovila vai depender do nível de envolvimento da comunidade – afastando da “sociedade competitiva” para uma “sociedade colaborativa”. Nós temos um bom relacionamento com a comunidade local, pois contratamos pessoas para trabalhar na nossa propriedade, preservamos a natureza, alugamos suas casas e acomodamos turistas em suas casas.

    Geração de renda “um tópico sensível mas necessário”

    Esse é um tópico sensível se você segue grupos de permacultura e ecovila nas redes sociais. Lá existe esse sentimento de que ecovilas são somente para elites. De algumas formas, essas críticas estão certas. Como um estrangeiro no Brasil, eu sou considerado elite. Ainda assim, as pessoas tendem a esquecer como trabalhamos pesado para chegar aonde estamos hoje na Eco Caminhos. Alguns sugerem que ecovilas deveriam aceitar todos sem nenhum critério. Na minha visão, isso simplesmente não funciona. O mesmo vai para pessoas que dizem que querem viver fora da rede e não querem uma visão capitalista. Você não pode evitar o fato de que temos necessidades básicas e que não somos capazes de voltar a viver na floresta sem nenhum conforto básico e recursos.

    Aqui na Eco Caminhos, nós acreditamos que devemos usar o sistema capitalista existente de uma forma mais consciente. Nós geramos receita, mas reinvestimos socialmente, ecologicamente e culturalmente. Para atingir isso, deve haver uma balança entre pessoas que possuem capacidade de gerar renda para a ecovila e pessoas que podem contribuir de forma técnica (permacultura, agrofloresta, bioconstrução), socialmente e culturalmente.

    Até então, 30% da nossa receita é gerada pelo ecoturismo, 60% pelos programas de voluntariado pagos e 10% pelos programas de reabilitação. No entanto, esse ano, 30% será gerado por um contrato de projeto de bioconstrução que vamos fazer na região. Nossa renda é reinvestida no melhoramento da infraestrutura, comprando ferramentas, sementes, mudas, energia, comida etc.

    Responsabilidade Social

    O objetivo principal da Eco Caminhos é oferecer oportunidades de aprendizado para aqueles que precisam e estão motivados a aprender. A Eco Caminhos atualmente investe parte da sua receita e tempo em um programa social para aprendizes (atualmente temos 3). Nós também recebemos um casal de refugiados da Venezuela. Nós oferecemos acomodação, comida, treinamento em agroflorestal e bioconstrução, aulas de inglês, suporte escolar e uma bolsa auxílio.

    A equipe que contratamos são pagos acima da média, recebem 8 semanas de férias por ano, comida no trabalho e alguns ainda possuem acomodação. Nós desejamos melhorar essas condições com o tempo.

    Claro que não podemos satisfazer todos. Programas voluntários são, especialmente, desafiadores, devido a alta taxa de rotatividade. Esse constante vai e vem de pessoas dificulta para estabelecer uma cultura. No entanto, com a equipe contratada recentemente, nossos programas estão se tornando cada vez mais estáveis.

    Nós permitimos que pessoas façam parte da comunidade e da fazenda. As pessoas ficam felizes em ver o seu dinheiro bem investido ecologicamente e socialmente. Isso resulta em turistas satisfeitos, que nos recomendarão para os seus familiares e amigos e ainda darão boas avaliações no Google e TripAdvisor.  Isso resulta no aumento de interesse nos nossos programas. Ainda não somos rentáveis. Somente ano passado conseguimos cobrir todos os nossos custos operacionais. Esse ano estava parecendo ser ainda melhor, até o corona vírus aparecer.

    As coisas boas / ótimas que vivenciamos na nossa ecovila intencional

    • Há zero pressão; a colaboração acontece naturalmente;
    • Há um sentimento de independência e zero conflitos nos assuntos domésticos;
    • A tomada de decisão é rápida, pois cada família possui autonomia na sua propriedade;
    • Mais família estão juntando-se a nós, o que traz um sentimento de confirmação da nossa estratégia comunitária;
    • Há mais possibilidades de geração de renda, permitindo que mais membros da comunidade se beneficiem e garantam as suas rendas;
    • A comunidade local está se beneficiando da nossa presença. Além de preservar o meio ambiente, nós contratamos trabalhadores locais, atraímos ecoturistas, alugamos cavalos e treinamos os jovens;
    • O melhor cenário é uma comunidade ecológica próspera. O pior dos casos é que cada um possui a sua propriedade para viver ou vender;
    • Pessoas que querem participar, podem começar como voluntários (programa pago ou não) e vivenciar antes de investir;

    Os desafios

    • Montar uma ecovila é um incrível desafio, no qual exige determinação e persistência.
    • A independência exige que as pessoas gerem a sua própria renda. Para pessoas que possuem poucos recursos ou habilidades empreendedoras, pode ser difícil;
    • Ainda não alcançamos um status de ecovila madura. Todas as famílias estão estruturando as suas propriedades. Os verdadeiros desafios para o desenvolvimento da nossa ecovila ainda estão por vir.

     

    Quer entrar na nossa ecovila intencional?

    Sim, há propriedades à venda ou para alugar na vizinhança. No entanto, recomendamos que comece por um de nossos programas de turismo ou voluntariado para permitir que você nos conheça e vice-versa. Dace, Robert, Leo e Nora vieram como turistas em 2019 por 4 dias na Eco Caminhos. Eles ficaram interessados em participar da nossa comunidade e voltaram para mais 2 semanas de experiência. Recentemente eles compraram uma propriedade ao lado e estão atualmente estruturando a sua propriedade. A família também quer aplicar agrofloresta e bioconstrução e colaborar no ecoturismo para gerar renda.

    Se você deseja vivenciar a nossa ecovila intencional, nos visite! Você pode participar de um de nossos programas turísticos customizados, que podem ser de até 2 semanas. Por um período maior, nós sugerimos os nossos programas de voluntariado que podem ser de 2 semanas até 1 ano. Há programas pagos e gratuitos, depende do tempo que você quer se envolver, suas habilidades e suas necessidades. Uma vez que você sente que deseja entrar, nós adoraríamos ajudar a encontrar um lugar para você comprar ou alugar. Você também pode conhecer a região com todos os prós e contras. Quando você escolher um programa, você pode nos enviar um formulário online. Nós geralmente respondemos em até 3 dias úteis. Se você fizer uma boa proposta, nós agendamos uma entrevista para nos conhecermos melhor e esclarecer algumas expectativas.

    Quem sabe… Talvez a gente se conheça em breve!

  • Passo a passo para a  preparação do solo da horta orgânica (utilizando biomassa)

    Passo a passo para a preparação do solo da horta orgânica (utilizando biomassa)

    Uma das questões que por vezes mais causa dúvidas em quem deseja desenvolver uma horta é a preparação do solo. Se você busca ter uma horta saudável, rica em variedades e produtiva, preparar o solo de maneira correta e muito importante. Vamos te ensinar passo a passo na construção de uma horta organizada, sem o uso de agrotóxicos e com biomassa.

    Primeiramente, você deve limpar o seu terreno. Tire todo o mato dele. Não só os corte, mas tire-os pela raiz. Se você deixar as raízes o mato vai voltar a crescer e você vai ter que repetir a limpeza. Além desse trabalho extra, que pode ser facilmente evitado, as plantas indesejadas podem acabar roubando os nutrientes dos legumes e das hortaliças que você vai plantar. Então, tenha certeza de retirar tudo que não é desejado.

    Depois de limpar o terreno, você vai fazer a aração. Mas o que é isso? Arar o solo nada mais é que colocar “ar” nele.  Durante a limpeza do terreno você já vai ter remexido na terra, o que de certa forma pode servir como uma leve aração, mas repita o processo de maneira mais intensa. Busque descompactar a terra, deixando-a mais fofa para as raízes das plantas, pois assim elas vão poder se desenvolver com mais facilidade.

    Depois de arar está na hora de dividir o seu espaço. Dependendo do tamanho do seu terreno você terá que criar caminhos para poder andar. Há várias formas de fazer a divisão, isso vai depender do que você quer plantar e da dimensão do seu lugar.

    Aqui na Fazenda Eco Caminhos nós separamos cada canteiro por  um metro de distância. Para facilitar, utilizamos estacas para separar a área. Não faça isso no “olhômetro”, pois as chances de dar errado são altas e isso pode acabar atrapalhando na hora do plantio. Use de uma fita métrica, meça seu espaço, marque com a estaca e depois repita essa ação do lado paralelo do canteiro deixando-as o mais alinhado possível. Quando as estacas estiverem colocadas uma alinhada à outra, ligue-as com um barbante.  Assim, você terá visualmente o lugar dos seus canteiros.

    Com os espaços já definidos está na hora de começar dar forma à sua horta. Com a ajuda de uma enxada, faça “morrinhos”. Tenha em mente que a terra precisa ficar bem fofinha para sua  planta se desenvolver com facilidade e saúde. Faça esses morrinhos seguindo visualmente o barbante. Tome cuidado em deixar um espaço entre os canteiros para você conseguir se locomover entre eles.

    Com os morrinhos já feitos, você pode retirar os barbantes e as estacas. Dica: não corte as linhas, amarre-as de um jeito que possam ser retiradas sem danos, pois assim você poderá reutiliza-las. 🙂 Outra coisa, tome muito cuidado para  não pisar nos canteiros. O peso do corpo pode acabar compactando a terra novamente.

    Agora, chegou a hora de darmos “forma” aos canteiros.  De maneira delicada, achate os morrinhos de terra dando um formato de “u” nos seus topos. Não precisa ser muito profundo, mas deixe uma leve angulação, pois assim todos os nutrientes vão se acumular no meio dele. Se o topo ficar muito alto os nutrientes irão escorregar pelas bordas.

    Com isso feito está na hora de colocarmos o adubo nas pequenas valas que nós formamos. Vamos colocar o adubo “dentro do u”. O adubo pode ser da sua preferência, aqui na Eco Caminhos utilizamos o tradicional esterco de bovino.

    Depois do esterco aplicado nós vamos colocar a cobertura verde nos nossos canteiros. A cobertura verde, ou biomassa, é parte essencial de uma horta, pois além de proteger sua plantação dos raios do sol, ela ajuda a manter a umidade do solo e também serve como substituto para os adubos químicos.

    A biomassa nada mais é que plantas, cortadas ou roçadas.  Ao invés de serem descartadas, elas poderão ser reutilizadas na sua horta. Uma coisa importante é que essas plantas não podem estar com raízes, pois neste caso elas podem se fixar no solo e ao invés de proteger suas hortaliças, elas servirão como sanguessugas de nutrientes.

    A biomassa além de manter sua terra mais forte e saudável, pois não tem o uso do adubo químico, é muito mais barata, pois ela pode ser retirada da própria terra. Além disso, ela tem também a capacidade de suprimir o crescimento de ervas daninhas.

    Como já dito, a biomassa protege o solo dos raios e do calor irradiado do sol, mas para  melhor resultado o responsável pela terra deve se atentar com a posição do astro em relação ao seu canteiro. Veja em quais lugares o sol bate com mais intensidade durante o dia. Veja como a sua terra reage a ele. Se ela ficar muito seca, sem umidade, aplique mais biomassa na região. A cobertura verde vai impedir o contato direto dos raios com a terra.

    Levando esses principais pontos em consideração o seu solo vai estar amistoso para sua plantação, protegido do sol, das ervas daninhas e adubado de maneira natural, sem o uso de agrotóxicos.

    por: Alice Beraldo Jevoux (Voluntária de Comunicação na Fazenda Eco Caminhos)