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  • Programa Aprendiz

    Programa Aprendiz

    A Eco Caminhos Fazenda de Permacultura desde a sua fundação recebe pessoas do Brasil e de todo o mundo para compartilhar experiências e ensinar sobre Agrofloresta, Bioconstrução e Eco Turismo.

    Desde o início, procuramos dar espaço e receber aqueles que por ventura não tiveram oportunidades e recursos para investir em conhecimento e aprendizagem. Na verdade, a nossa principal missão é tornar o mundo um pouquinho mais sustentável e justo para todos. Gostaríamos de lhe dar uma ideia de como funciona nosso programa de aprendizagem e dar-lhe uma atualização sobre o desenvolvimento de nossos aprendizes este ano.

    Como atraímos e selecionamos aprendizes?

    Promovemos o programa de aprendizagem em nossos canais de mídia e em nossas redes sociais. As pessoas podem candidatar-se online. Depois de uma primeira triagem onde verificamos o estado de espírito, a vontade de colocar a mão na terra, a saúde mental e física, convidamos para 2 entrevistas.

    Na entrevista verificamos primeiro as expectativas do candidato. Queremos certificar- se que o candidato entende as reais condições da fazenda. Ambiente simples, trabalho duro, alimentação saudável e estar em contato com a natureza a maior parte do tempo. Também salientamos que o fato de estarmos nas montanhas exige uma boa preparação física e mental. Explicamos também as condições simples da fazenda para não criar falsas expectativas. Para nós, a motivação e a simplicidade são mais importantes do que um belo currículo. Com todas as informações, Thales (responsável pela comunicação), Bart (diretor administrativo) e Dutra (coordenador geral) decidem qual candidato aprendiz está melhor alinhado as expectativas da Eco Caminhos para integrar nosso time.

    Aprendizes mais velhos e mais mulheres em nosso programa de aprendizagem

    Até 2023 chamávamos o nosso programa de Jovem Aprendiz, e tínhamos idade máxima de 26 anos. Mas percebemos em 2022 que pessoas acima de 26 anos estavam excluídas dessa oportunidade. Às vezes, uma pessoa mais madura, que já experimentou o mercado de trabalho e não conseguiu encontrar a felicidade ou a estabilidade financeira, está em busca ávida de oportunidades como essas. Outro aspecto que trabalhamos intensamente este ano é trazer mais candidatas mulheres para a fazenda. No Brasil ainda existe resistência para que as mulheres trabalhem no setor agrícola ou na construção. Acreditamos que isto é uma vergonha, uma vez que as mulheres desempenham frequentemente papéis cruciais na nossa Fazenda. Este ano, conseguimos receber 3 aprendizes, 2 estão atualmente ativos na fazenda e 1 está a caminho.

    Duração do programa de aprendizagem e período de teste

    O compromisso mínimo para um programa de aprendizagem é de 3 meses. Temos um período de teste de um mês. Após 1 semana fazemos uma primeira avaliação. Verificamos coisas básicas como pontualidade no horário de trabalho, motivação no trabalho, respeito aos colegas, limpeza e integração com a equipe. Também temos uma política de zero drogas e álcool na fazenda. Oferecemos orientação na primeira semana com diversos workshops, treinamentos e reuniões para garantir que o aprendiz possa se integrar bem ao programa. Depois de um mês há uma avaliação crucial. 25% dos candidatos desistem antes do primeiro mês. Para os 75% que ficam existe a possibilidade de prorrogação por mais 9 meses. Para os aprendizes que concluem com sucesso um programa de 1 ano, nós os ajudamos a conseguir um emprego. E no caso do Rodrigo e do Wallace nós mesmos os contratamos. Rodrigo já trabalha conosco há 3 anos e se tornou um funcionário respeitado na fazenda. Prevemos o mesmo caminho para Wallace que é contratado esta semana.

    O que os aprendizes podem aprender?

    Nossos programas de aprendizagem oferecem às pessoas a oportunidade de aprender sobre Permacultura, Agrofloresta, Bioconstrução e Ecoturismo. Não se trata apenas de trabalhar nestas áreas, mas oferecemos formação teórica, damos frequentemente sessões de instrução durante os períodos de trabalho. Fazemos reflexões sobre as coisas que iremos construir e crescer para estimular as pessoas a observar e reagir, o que é um aspecto crucial da Permacultura. Agora, possivelmente, a maior oportunidade de aprendizagem é que as pessoas cresçam como seres humanos. Em nosso mundo individual, as pessoas podem esconder suas falhas facilmente em seus apartamentos nas grandes cidades. Onde podemos fugir de todos os nossos problemas. Na fazenda não. Não temos outra escolha a não ser enfrentar nossas falhas. Os membros da nossa comunidade, colegas de quarto ou residentes nos mostrarão um espelho.

    Condições para aprendizes.

    A todos os aprendizes é oferecido alojamento, alimentação (principalmente orgânica de produção própria) e bolsa-auxílio. Tudo isso com a ajuda de vários patrocinadores generosos. Queremos ter certeza de que todos possam ter todas as necessidades básicas. Os cuidados de saúde no Brasil são gratuitos. Muitas vezes, o sistema de saúde oferece serviços muito limitados. A Eco Caminhos garante que usamos todos os meios e redes para oferecer os melhores serviços de saúde para todos os nossos trabalhadores. No futuro, esperamos poder oferecer seguro de saúde. Mas isso ainda é um pouco caro para nós. Os aprendizes também têm direito a 2 meses de férias por ano para se recuperarem do trabalho árduo e poderem visitar familiares e amigos.

     

    Vamos apresentar nossos aprendizes para você.

     

    Sarah, 37 anos, Fortaleza, Ceará

    Sarah tem exercido uma contribuição incrível para nossa fazenda. Ela tem uma mentalidade e ética de trabalho incríveis. Ela sempre dá o seu melhor. Sarah quis vir para a fazenda porque aprendeu muito sobre agrosilvicultura, mas queria mais experiência prática. Na fazenda trabalha com Agrofloresta, cuidando da criação e ordenha das vacas, compostagem e manutenção geral. Sarah comprometeu-se por 3 meses, pois terá que voltar ao Ceará por compromissos que assumiu. Já oferecemos a ela uma oportunidade de emprego para 2024.

    Natália, 38 Anos, Buenos Aires, Argentina

    A Argentina está em uma grande crise econômica, muitos argentinos estão vindo para o Brasil em busca de oportunidades. Natália viaja há 4 anos e acha que já é hora de se estabelecer em algum lugar. Natalia tem pouca experiência com Agricultura ou Bioconstrução. Ela se adaptou muito bem. As principais tarefas de Natalia na fazenda são: preparar o almoço 3 dias por semana para toda a equipe, ela cuida e ordenha as vacas e também gosta de trabalhar em Bioconstrução. Como Sarah Natalia também se comprometeu para 3 meses.

    Wallace, 33 anos, Xerém, Rio de Janeiro Brasil

    Como mencionado anteriormente, Wallace está sendo contratado esta semana graças à sua grande contribuição para a fazenda. Conhecemos Wallace desde a época em que Bart (diretor fundador) dirigia um orfanato no subúrbio do Rio de Janeiro. Wallace demonstrou interesse na oportunidade de aprendizagem. Ele está na Eco Caminho desde dezembro de 2022. Trabalhando em Bioconstrução, manutenção, cuidando e ordenhando as vacas, jardinagem, condução e irrigação. Estamos muito felizes com Wallace na fazenda. Ele está sempre pronto para ajudar onde precisarmos e por isso se tornou um membro importante na equipe. Wallace foi depois de Rodrigo o 2º aprendiz que contratamos em efetivo. Ele está muito feliz com sua promoção e motivado para ficar.

    Amadeus 18 anos, Alemanha/Brasil

    Amadeus é um alemão brasileiro que trabalhou conosco como voluntário por 1 ano. Ficamos muito impressionados com o progresso que ele fez durante um ano. Amadeus trabalhou principalmente em sistemas agroflorestais e as suas competências e motivação desenvolveram-se de forma impressionante. Ele amadureceu muito, criou uma ética de trabalho e também se desenvolveu socialmente de forma incrível. Amadeus tornou-se amigo de toda a equipe. Havia nos questionado antes do final do ano se poderia voltar ao programa de aprendizagem e ficar alguns anos na fazenda. Ficamos muito felizes. Embora não tenha o perfil social econômico da persona aprendiz, acreditamos que sua presença é muito importante também para outros aprendizes. Por esta razão a Eco Caminhos pagará a sua bolsa. Esperamos que ele se torne um especialista agroflorestal com o tempo. Ele voltará no início de 2024.

    João 17 e Leandro 19 anos, Xerém, Rio de Janeiro

    João e Leandro ficaram um mês conosco. Ambos também viveram quando crianças no orfanato Casa do Caminho, onde Bart era o gerente. Ambos são especiais e têm um distúrbio de aprendizagem. Eles contactaram-nos e pediram ajuda, pois ambos eram sem-abrigo. Estávamos muito motivados para ajudá-los e toda a tripulação deu o seu melhor para que se sentissem em casa e para os treinar. Exigiu muita paciência da equipe. Após 6 semanas tivemos que encerrar o aprendizado dos meninos. Isso porque as regras básicas, pois os meninos não respeitavam as regras básicas da fazenda e não tinham motivação para aprender todas as técnicas da fazenda. Foi muito difícil para nós deixá-los ir, mas simplesmente não temos a infra-estrutura humana para ajudar ainda mais estes rapazes. Gostamos de partilhar não só as histórias de sucesso mas também as dificuldades que enfrentamos.

    Julio,  45 anos, Esperanza, Argentina

    Julio chegou ontem da Argentina. Ele tem experiência em jardinagem e possuía sua própria horta. Ele também veio ao Brasil em busca de um futuro melhor e para aprender mais sobre Permacultura, Agrofloresta e Bioconstrução. Desejamos a ele uma incrível experiência de aprendizado conosco.

    Aprendizes que virão…

    Temos Jessika vindo de Duque de Caxias, Rio de Janeiro, no próximo mês. Ela atuará nas áreas de cozinha, Bioconstrução, Agrofloresta, manutenção e cuidado de animais.

    Quer apoiar nosso programa de aprendizagem?

    Nós já estamos gerando renda suficiente para cobrir custos operacionais. No entanto, as despesas do nosso programa de aprendizagem não são cobertas pelos nossos rendimentos. Ao longo dos anos, vários doadores individuais ajudaram-nos a financiar este programa e a transformar a vida de indivíduos que apenas precisam de uma oportunidade na vida.

    Você gostaria de apoiar um Aprendiz?

    Entre em contato conosco se quiser mais informações sobre quanto custa patrocinar um aprendiz e onde você pode fazer sua doação.

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  • Impacto Social no 2022

    Impacto Social no 2022

    Os Parceiros e sua História

     

    Ao longo dos últimos 20 anos um grupo de organizações tem colaborado em atividades sociais voltadas principalmente para jovens carentes no Brasil. Tudo começou com o orfanato Comunidade Rural Casa do Caminho, no Brasil, onde Bart Bijen se tornou o diretor administrativo. Em 2006, a Stichting Avante Educação Brasil foi fundada na Holanda com o objetivo de apoiar as crianças do orfanato e outros jovens carentes no Brasil.

    Então, em 2009, foi fundada a Caminhos Language Centre no Rio de Janeiro. Uma Escola de Língua Portuguesa para estrangeiros com dois objetivos. Gerar fundos para crianças e adolescentes carentes do orfanato e também das favelas do Rio de Janeiro. A escola é de propriedade de Bart e Jascha. Jascha é o diretor administrativo.

    Na escola de idiomas surgiu a “Mais Caminhos” que era o braço social da escola que cresceu junto com a escola e hoje é uma organização consolidada.

    E em 2015 a Eco Caminhos em Nova Friburgo – Brasil, foi fundada com o propósito de impactar tanto o meio ambiente quanto a juventude carente.

    Como os programas sociais cresceram em 2023, fundamos a Fundação brasileira “Ecolibrium” com o objetivo de arrecadar fundos no Brasil e no exterior para aumentar o impacto social e ambiental na região.

     

    O trabalho realizado em 2022

    O apoio a projetos educacionais e sociais no Brasil pela Fundação Avante Educação Brasil, se dá por meio dos programas: 1. Mais Caminhos 2. Aprendizagem Eco Caminhos (escola) 3. Apoio ao Davi e família.

    Mais Caminhos

    No programa Mais Caminhos temos como objetivo oferecer educação e apoio às crianças das favelas do Cantagalo e da Pavuna, no Rio de Janeiro. O programa funciona na Caminhos Language Center no Rio de Janeiro. Nossa gerente Marie Dupuy dirige uma equipe de voluntários. Para saber mais sobre as atividades e realizações você pode conferir o site do mais caminhos.

    Jovem Aprendiz Eco Caminhos

    A fundação Avante Educação também apoia o programa de aprendizagem da Eco Caminhos. Uma fazenda ecológica perto de Nova Friburgo no estado do Rio de Janeiro. A Eco Fazenda também recebe jovens carentes e com pouca perspectiva. Os jovens moram na fazenda por 1 ou 2 anos recebendo moradia, alimentação e bolsa-auxílio. Os jovens podem especializar-se em bioconstrução ou agrofloresta.

    Aprendem também como comportar-se no mercado de trabalho e como a cuidar de si mesmo: limpar, cozinhar e aprender a lidar com sua vida financeira. Em 2022, foram 4 aprendizes. Destes, 3 concluíram o programa com sucesso. Um deles agora é contratado pela Eco Caminhos como funcionário, 2 saíram depois de irem para o exterior depois de encontrarem um amigo dentro da Eco Caminhos. Em 2023, 2 novos aprendizes já iniciaram e mais 2 estão iniciando em maio.

    Davi e sua familia

    Apoio a Davi e família. A Fundação Avante Educação Brasil apoia Davi Porfirio e seus irmãos há muitos anos. A família passou parte importante da infância no orfanato Casa do Caminhos, perto do Rio de Janeiro. Davi, então passou um ano de intercâmbio em Genhout Beek com a família Pirson. Logo em seguida foi estudar e trabalhar na Caminhos Language Centre, onde é responsável pelas atividades turísticas dos alunos. Dois irmãos e uma irmã agora são adultos e caminham com suas próprias pernas. Há um outro irmão, Tiago, que tem catorze anos e está atualmente na escola. No vídeo abaixo, Davi explica porque o suporte precisa continuar por mais alguns anos.

    Davi mudará para a França em 2023, onde mora sua namorada. Luciana, irmã de Davi, continuará cuidando de Tiago. Luciana não possui recursos financeiros que sejam suficientes para sustentar Tiago. Davi terá que se estabelecer primeiro na Europa e conseguir um emprego na França. Até lá, continuaremos a fornecer apoio financeiro. Pedimos aos doadores que continuem apoiando por pelo menos mais quatro anos até que Tiago seja adulto. Davi é mantido por cerca de 40 patrocinadores que pagam uma quantia mensal.

    Fundação AEB

    A Fundação AEB faz captação de recursos para todos os projetos descritos acima e faz captação anual de recursos para projetos específicos. O conselho é composto por Jan Bijen (presidente), Jascha Lewkowitz (secretário tesoureiro) e Maarten Vonhögen (secretário).

  • Estudantes Canadenses constroem parque em escola de Nova Friburgo.

    Estudantes Canadenses constroem parque em escola de Nova Friburgo.

    Vindos do Canadá direto para o bairro de Cordoeira – participam de uma ação em escola local, constroem parque e participam de projeto de Bioconstrução e Agrofloresta em parceria com a ‘Eco Caminhos’.

     

    Em parceria com o programa social OFFGRID temos o prazer de receber um grupo de alunos da escola Sainteanne, no Canadá, para nos ajudar a construir um playground em uma escola em Nova Friburgo – Escola Municipal Padre Rafael, no bairro Cordoeira.

     

    Vieram para nos ajudar com muito amor, paixão, entusiasmo e felicidade espalhando por nossa comunidade e também nos dando uma mão na massa em nosso projeto de permacultura no Eco Caminhos.
    Eles são de muitas partes do globo temos húngaros, russos, espanhóis, indianos, chineses, italianos, ingleses e franceses todos juntos em uma missão que começou na segunda-feira, 6, onde permanecerão até 22 de março.
    Essa é uma ótima oportunidade para eles aprenderem uma nova língua como o português e também sobre diferentes culturas e costumes.

     

     

    Bart ressalta que a experiência é rica tanto para os estudantes que vêm de outros países quanto para os jovens brasileiros:

    Aqui eles têm oportunidade de conhecer uma língua estrangeira e entender que jovens do outro lado do mundo são iguais, apenas são de outra cultura, com raça e língua diferentes, mas possuem muitas coisas semelhantes e nos faz crer que o mundo é muito menor do que a gente imagina. 

    Os recursos financeiros para a construção do Parque Escolar fizeram parte de uma doação dos alunos e eles estão atuando como voluntários. É um gesto maravilhoso!
    O projeto OFFGRID é um projeto bilíngue que segue a visão de desenvolvimento de crianças e jovens através de hábitos e habilidades sustentáveis humanizadas.

     

    João Guilherme Wermelinger, dentista que participa do projeto ‘Off Grid’ na escola Padre Rafael disse que está cheio de expectativas:

    Tenho certeza que serão dias de descobertas, esperança, diversidades e inclusões, servidos de altruísmo e também empatia.

     

    Os sete jovens estudantes de diversos cantos do mundo são acompanhados por uma professora e também vão produzir um documentário sobre turismo sustentável, que faz parte da conclusão do programa escolar deles.

    Além das intervenções e benefícios da escola no Cordoeira, os estudantes terão vivências agroflorestais, vão aprender sobre Bioconstrução, além de atividades de lazer como trilhas, e passeios em cachoeiras da cidade.

     

    Oportunidades como essa são de extrema importância tanto para os jovens estrangeiros que vem fazer um intercambio em terras brasileiras quanto para os jovens daqui, que passam a enxergar mais possibilidades para um futuro melhor, a importância de cuidarmos do nosso meio ambiente utilizando de praticas sustentáveis para um bem maior da comunidade e do planeta em que vivemos. É fato de que essa imersão proporcionará uma nova visão de mundo a esses jovens e acreditamos que estamos seguindo no caminho certo em busca de um futuro melhor.

  • Uma rede de dar e receber — vínculos surpreendentes entre agrofloresta e trabalho social

    Uma rede de dar e receber — vínculos surpreendentes entre agrofloresta e trabalho social

    Por Matthew Huska, voluntário

    Em vez de abordar a melhoria da vida e o cultivo de alimentos como uma equação matemática de somas e subtrações, a Eco Caminhos pratica uma filosofia de sistemas autossustentáveis e auto-reforçados.

    Uma equipe eclética

    Na fazenda de permacultura Eco Caminhos, o trabalho começa às sete. Os voluntários se amontoam na traseira da picape para evitar a difícil subida até o coração da fazenda. O carro sobe a encosta da montanha em primeira marcha com sua carga humana acondicionada como batatas fritas.

    Reunimo-nos na Colmeia, onde acontece o almoço, os processos com os vegetais e as reuniões diárias.

    Chamar de diverso o grupo de pessoas que se encontram na Colmeia todas as manhãs é um eufemismo. A multidão é completamente eclética.

    Se nossa comunidade fosse uma colcha de retalhos, teria quadrados de caxemira fina ao lado de ceroulas puídas. É incrível que todos nos dêmos bem, mesmo que não nos comuniquemos. No entanto, de alguma forma, esse parece ser o ponto.

    Colmeia funciona como um jogo de palavras, um duplo sentido, como a colmeia da atividade. Além disso, o sobrenome de Bart Bijen significa “abelhas” em holandês.

    Uma comunidade eclética

    O grupo principal de trabalhadores da fazenda são os aprendizes. Bart, o fundador e diretor do projeto, conhece a maioria deles a muito tempo, da época em que dirigia um orfanato no Rio de Janeiro. Sem exceção, eles vêm de origens difíceis e alguns ainda lutam com velhos vícios. São eles que nos ensinam, recém-chegados e de curto prazo, como fazer nossas tarefas.

    Os voluntários vêm por apenas alguns dias ou até um ano ou mais. Eles também vêm de vários lugares. Desde que estamos aqui, trabalhamos ao lado de uma brasileira aposentada, dois holandeses em idade universitária (não se conheciam antes de vir), uma garota americana recém-saída do ensino médio, duas arquitetas italianas fazendo uma pausa de suas carreiras ocupadas na Alemanha (uma coincidência total, eles também não se conheciam antes de vir), e uma família bangladesh-canadense com dois meninos. Esses são apenas para citar alguns.

    Depois, há nós: uma família americana de cinco. Financeiramente medíocre para os padrões dos EUA, mas bastante rico para os padrões brasileiros. Viajando para o exterior por um ano. Tentando redefinir nossas vidas e reimaginar nosso futuro.

    Todo mundo está aqui por razões diferentes e tem uma série de expectativas para a experiência. Cada voluntário está sob diferentes prazos e período. Alguns de nós pagam generosamente, alguns ficam de graça, outros estão em algum lugar no meio disso. Alguns trabalham cinco dias, outros três, outros têm um horário mais flexível. Todos nós temos forças e fraquezas muito diferentes. Damos e recebemos.

    Uma colheita sendo processada na Colmeia.

    Noções básicas de agrofloresta (de alguém que nunca cultivou um jardim)

    Após nossa reunião de abertura, nos dividimos em várias equipes. A maioria estará cuidando da agrofloresta. Cada aprendiz conduz um grupo de voluntários temporários a um dos sistemas agroflorestais. É aí que os vilões das cidades do mundo desenvolvido aprendem a função mais básica da civilização: colocar comida na mesa.

    Esqueça tudo o que você sabe sobre plantar um jardim. Este não é o seu quadrado de terra, seccionado com etiquetas fofas no final de cada linha e amplo espaço entre cada broto.

    Em termos mais simples, agrofloresta é a agricultura que imita uma floresta. A selva não se divide em monoculturas. As plantas crescem (às vezes literalmente) umas sobre as outras. Cada árvore, trepadeira e arbusto se amontoa onde quer que haja um centímetro quadrado de terra e um raio de sol.

    Isso não quer dizer que não haja ordem em uma floresta natural. Não é apenas onde você pensaria em olhar.

     

    Ordem na floresta

    As florestas se ordenam verticalmente. Eles crescem em estratos.

    No topo, os estratos emergentes e altos recebem o peso da luz do sol. Isso está longe de ser um ato altruísta. Essas espécies anseiam pela luz solar para a fotossíntese. Como um valentão que abre caminho para frente da fila, eles egoisticamente disparam e roubam o máximo de sol que podem.

    Espécies do estrato inferior – como este programador gringo que não vê uma praia há nove meses – seriam incendiadas na luz direta do sol. Espécies como o café prosperam na sombra parcial. Eu posso lidar com o café.

    Essa é apenas uma das maneiras mais visíveis pelas quais as diferentes espécies se apoiam. Sob a superfície, os sistemas radiculares se comunicam e compartilham recursos por meio de teias de fungos. Algumas plantas fixam nutrientes no solo. Outros deixam cair suas folhas e galhos, construindo o solo e cobrindo-o para reter a umidade. Provavelmente, existem maneiras pelas quais as plantas ajudam umas às outras que os humanos ainda não observaram.

    A vida vegetal é realmente misteriosa. Cada planta em um ecossistema participa de uma complexa teia de dar e receber. E essa rede responde a ameaças sistêmicas. Diz-se que a poda de uma árvore em determinado sistema estimula o crescimento de outras árvores vizinhas.

    Podemos não ser capazes de decifrar tudo como em um modelo de computador. Mas, seguindo o exemplo da natureza e plantando florestas, pensando assim, podemos recriar a abundância da natureza para nós mesmos.

    Aqui vemos o imponente eucalipto. Esta é uma espécie emergente de rápido crescimento que protege o solo com suas raízes e produz uma excelente madeira dura.
    As bananeiras, além de produzirem os frutos que conhecemos e amamos, são as espécies preferidas para fazer sombra por causa de sua folhagem grande e crescimento rápido. Seus caules e troncos também podem ser utilizados como biomassa e reter a umidade do solo. Elas são consideradas estrato alto.

     

    Uma visão de perto da eficiência, bem como da complexidade, do uso da terra, ao plantar diferentes espécies juntas em locais apertados.

    Lições surpreendentes da agrofloresta

    O etos e princípio orientador da agrofloresta é a variedade e a complexidade. Misture o maior número possível de espécies em um lote de terra. Plantar em excesso. Você sempre pode diminuir mais tarde e se beneficiar da biomassa adicionada (um termo chique para merda morta, bem, merda).

    Isso viola tudo o que você já aprendeu sobre jardinagem e plantio.

    É difícil apreciar completamente a genialidade dessa abordagem até que você esteja literalmente no mato cuidando dela. No meu caso, eu estava tirando um dia das minhas tarefas habituais de bioconstrução e fui ajudar a colher cebolinha.

    As cebolas enfiaram suas lanças afiadas tubulares entre os alfaces. Os talos de milho se elevavam sobre o abundante sub-bosque, afastando os raios mais severos da luz do sol.

    Enquanto eu procurava a base dos talos de cebola, senti o solo solto e úmido por baixo, protegido da dessecação pela sombra e regenerado pela matéria vegetal em decomposição deixada pela poda, desbaste e capina anteriores.

    Não era preciso ser um especialista em agricultura para sentir que o solo era saudável e cheio de vida. Mas quem consegue acompanhar toda essa complexidade?

     

    Deixando a natureza fazer o trabalho

    À primeira vista, a agrofloresta parece desastrosamente complicada de gerenciar. É o oposto de racionalização e simplificação. Esforça a mente para lembrar onde está o quê. Todos os tipos de coisas estão amadurecendo ao mesmo tempo em lugares diferentes. E outros lugares precisam de novas sementes. É de se perguntar como tudo é cuidado com apenas um punhado de voluntários.

    Mas toda essa complexidade vem com uma grande vantagem. Ela cuida de si mesmo. A rede de dar e receber entre as plantas, o solo, os insetos e o resto do ecossistema resolvem seus próprios problemas. Ninguém precisa cuidar de uma floresta para ajudá-la a crescer e sobreviver. Ela apenas faz.

    Compare isso com uma colheita que eu costumava ver quando criança crescendo no norte de Wisconsin – ginseng. Testemunhei campos até onde a vista alcança plantados com esta única espécie de raiz lucrativa. Como seu nicho natural é o chão da floresta, os agricultores fabricavam sombra artificial usando uma imensa quantidade de postes de madeira para segurar o pano de sombra. (Se você nunca viu um campo de ginseng, este artigo tem algumas boas fotos).

    Plantar uma única safra de ginseng parece simples até que você considere todas as entradas de dinheiro, material e esforço necessários. Em outras palavras, você está derrubando uma floresta viva real, transportando-a com energia de combustíveis fósseis e construindo meticulosamente uma simulação morta (e feia) de uma floresta. É caro. Por que não economizar o trabalho e plantá-lo em uma floresta? E quando terminar, você ainda terá as árvores para colher madeira.

    A agrofloresta acaba com os insumos artificiais e delega esses problemas à natureza.

    Todos podem fazer isso?

    Então, por que nem todo mundo faz isso? Agora!

    Não sendo um agricultor, ou mesmo um jardineiro, não estou em condições de dizer aos agricultores convencionais o que fazer. A longo prazo, a Eco Caminhos espera provar ser um modelo de trabalho para outros agricultores da região. Mas até que possa obter um lucro saudável com sua operação agroflorestal, até esse dia chegar devemos esperar. (Por enquanto, ela ganha a maior parte de seu dinheiro com o ecoturismo.)

    Tenho minhas próprias dúvidas sobre a agrofloresta como uma solução universal imediata. Enquanto eles estão fazendo isso, eu questiono sua escalabilidade. Se você pegasse a terra usada para produção na Eco Caminhos e descobrisse quantas pessoas ela alimenta, depois extrapolasse para todas as terras agrícolas do mundo, ela atenderia às necessidades do mundo? Não tenho certeza e não sei se alguém já tentou descobrir. Parece muito experimental no momento para dar esse salto.

    Aqui está outro obstáculo. Um agricultor de recursos modestos poderia se converter à agrofloresta e rapidamente obter lucro? Se a resposta for não, então a técnica ainda está disponível apenas para amadores com dinheiro para investir ou como renda alternativa para enfrentar os anos não lucrativos.

    Mas esses amadores ainda podem estar desempenhando uma função crítica. Uma pessoa que viveu na década de 1950 teria se enganado ao criticar os primeiros computadores mainframe como impraticáveis ​​para o consumidor médio. Sem esse estágio inicial de desenvolvimento, você não estaria lendo este post hoje no dispositivo em sua mão ou no seu colo.

    Talvez, um dia, meus bisnetos dirijam pela interestadual pelo meu estado natal de Illinois cercado por florestas em vez de campos de milho.

    Bart demonstra como se faz o plantio de árvores.
    Aprendendo a plantar mudas com uma criança de três anos amarrada nas costas.

    Para os cínicos: quem está se beneficiando disso?

    Então, de volta àquela equipe de trabalho eclética. Inicialmente, isso se apresentou como um quebra-cabeça para mim. Quem está nesse lugar realmente para servir? Quem estava sendo usado e quem estava se beneficiando?

    Talvez seja porque eu venho de um país onde os dois principais polos ideológicos aceitam como dogma que um grupo sempre se ferra (só não conseguem concordar em quem). Mas não pude deixar de especular sobre a hierarquia da Eco Caminhos.

    É uma mente doentia que assume a explicação mais cínica como dada e depois parte daí. Mas vivo em um mundo doente, saturado por um ambiente midiático que é doente também. Então eu deixei o experimento mental acontecer.

    Os aprendizes nascidos no Brasil estão sendo explorados a serviço dos visitantes nascidos no exterior que vêm para uma “experiência”?

    Ou os estrangeiros abastados estão sendo usados ​​como fonte de renda para sustentar a visão: um ambiente onde jovens azarados possam desenvolver suas carreiras?

    Joguei as peças como cacos de vidro em um caleidoscópio. Cada arranjo cínico parecia plausível, mas nenhum pareceu com a resposta óbvia.

    Outra possibilidade: comunidade como ecossistema

    Sujar as mãos nos sistemas agroflorestais me fez pensar em outra possibilidade. Talvez as comunidades humanas, quando cuidadas, funcionem como ecossistemas saudáveis.

    Intencionalmente ou não, o mesmo tipo de pensamento que confia a saúde das plantações ao equilíbrio natural da floresta parece ter se infiltrado na abordagem da comunidade na Eco Camhinos.

    Bart, o proprietário da fazenda, descreveu como alguns dos voluntários e visitantes que ele aceita, explicitamente, vêm para reabilitação. Alguns têm depressão. Alguns têm vícios. Outros vêm para colocar sua vida de volta nos trilhos, se é que já esteve nos trilhos para começar.

    Bart admite prontamente que não é terapeuta e não tenta ativamente tratar ou aconselhar as pessoas. Ele credita o ambiente natural e a estrutura da fazenda como um fator de cura. Mas também me pergunto se nossa comunidade funciona como as plantas do sistema agroflorestal. Cada membro ocupa um nicho. Cada um prontamente dá algo que o outro precisa.

    Visto de fora, combinar o turismo internacional com um programa de reabilitação local parece absurdo. Eles nem pertencem à mesma parte da cidade. (Embora, suponho, viajar pode ser uma espécie de reabilitação.)

    No entanto, a comunidade da Eco Caminhos, de certa forma, imita a rede autossuficiente da natureza. Este não é o seu clichê desgastado do turista do mundo desenvolvido reunido que vem e mostra ao resto do mundo como viver. Tampouco é a contra história igualmente desgastada, onde a viajante do primeiro mundo sai da sua zona de conforto para se transformar.

    Uma rede de dar e receber

    Aqui não há herói. Nenhum beneficiário principal. Nenhuma vítima. Em vez disso, cada um vem com seu próprio motivo de interesse próprio. Alguns de nós procuram uma experiência. Um lugar para se recuperar. Um lugar para se conectar com a natureza. Ou um lugar para escapar de velhos demônios.

    Mas uma vez que chegamos, todos nós temos algumas coisas em comum. Partilhamos o trabalho e a visão. Compartilhamos refeições, as louças, as belas vistas do vale e um treino de cardio cada vez que subimos a montanha para nos encontrarmos na Colmeia ou para procurarmos uma ferramenta. Essas são as coisas que nos unem.

    No entanto, ainda somos pessoas muito diferentes. E é aí que a mágica acontece. Todos nós contribuímos com algo especial, algo único da nossa personalidade. Às vezes é algo observável, como uma habilidade que pode ser ensinada ou praticada. Outras vezes é inefável – uma atitude, uma história de vida, um certo tipo de presença.

    Para quem busca a reabilitação, o processo é orgânico, não prescrito. Para aqueles como nós que buscam um novo modo de vida, experimentamos um modelo saudável e autossustentável para ampliar nosso campo de possibilidades. Seja qual for o caso, estamos atingindo nossos objetivos sem entender completamente como. Isso acontece com tanta certeza quanto as alfaces absorvem nitrogênio dos feijões, como as árvores emergentes projetam suas sombras nos campos abaixo.

    Minha tarefa usual envolveu construir este quarto de ferramentas bioconstruído. Ao terminar, o quarto deve economizar algumas viagens pela montanha para quem trabalha nos campos mais baixos.
    Voluntários trabalhando nos campos e no quartinho bioconstruído.
    Uma das vistas com as quais podemos nos deleitar sempre que olhamos de cima.
  • Programa Jovem Aprendiz

    Programa Jovem Aprendiz

    Acreditamos que estamos todos conectados uns aos outros, incluindo plantas e animais. Por isso, o objetivo principal da EcoCaminhos é ser uma realidade autossustentável onde as pessoas possam se desenvolver em um ambiente seguro, respeitoso e inspirador, enquanto crescem em harmonia e respeito mútuo com a natureza.

    A partir dessa ideia, surgiu o Programa Jovem Aprendiz.

    Aqui, convivemos e trabalhamos em uma comunidade internacional e oferecemos aos adolescentes locais carentes, mas motivados, a chance de viver e aprender em um ambiente seguro e multicultural, pois acreditamos que a educação é uma das chaves mais importantes para combater a discriminação e as desigualdades.

    Aqui eles têm a oportunidade de se desenvolver de forma significativa, aprendendo sobre sustentabilidade, interações sociais, línguas estrangeiras e organização, enquanto aprofundam suas habilidades por meio de oficinas teóricas e trabalhos práticos, e construindo seus próprios objetivos de vida.

    Atualmente, nosso Programa Jovem Aprendiz conta com quatro pessoas: Rodrigo, Vinicius, Sebastian e Cleiton.

     

           

     

    Rodrigo, 27, Xerém – Brasil

       

     

    Rodrigo e Vinicius, ambos do Brasil, estão quase concluindo com sucesso seu programa.

    Rodrigo está na fazenda há um ano e meio e se tornará funcionário a partir do próximo ano. Ele teve a oportunidade de aprender sobre bioconstrução e agrofloresta até que decidiu se concentrar e dominar a agrofloresta.

    Entre trabalhar e cuidar de todos os SAFs (Sistemas Agroflorestais) da fazenda, ele agora lidera a equipe da plantação, apresentando aos voluntários e turistas os conceitos e o trabalho agroflorestal, organizando a horta desde a plantação até a venda das cestas agroecológicas.

    Além disso, a experiência em uma comunidade multicultural e a oportunidade de interagir continuamente com novas pessoas o ajudaram muito com sua timidez e capacidade de comunicação. Quando chegou à EcoCaminhos era muito difícil para ele se expressar e participar de eventos sociais. Rodrigo tem trabalhado cada vez mais para sair de sua zona de conforto e agora está muito mais falante mesmo quando não conhece o idioma.

     

    Conheça a experiência de Rodrigo em nosso canal do YouTube.

     

    Vinicius, 34, Xerém – Brasil

     

       

     

    Vinicius também está na fazenda há mais de um ano.

    Depois de crescer com Rodrigo e Cleiton em um orfanato do Rio de Janeiro, ele trabalha há algum tempo na área da construção civil. Seu foco aqui na fazenda tem sido aprender sobre bioconstrução para dominar suas habilidades e aprender prós e contras de diferentes métodos de construção. Ele rapidamente se tornou uma importante figura de liderança para a equipe de bioconstrução, tanto para aqueles que visitam a fazenda e quanto para os que a experimentam pela primeira vez.

    Durante a sua estadia também aproveitou para aprender inglês e praticar outras línguas estrangeiras com a comunidade internacional de voluntários que vêm de todo o mundo.

    Agora que o último grande projeto de bioconstrução (EcoLodge) está concluído, ele está equilibrando sua agenda de trabalho entre a manutenção das outras casas bioconstruídas e a agrofloresta, a fim de adquirir conhecimento neste setor e combinar melhor os dois.

     

    Conheça a experiência de Vinicius em nosso canal do YouTube.

     

    Sebastian, 27, Venezuela

          

     

    Sebastian deixou a Venezuela há vários anos por causa da dura realidade atual de seu país.

    Ele saiu com a ideia de procurar um lugar seguro para morar, crescer e encontrar oportunidades para depois se reconectar com sua família. Passou primeiro um ano na Colômbia e depois mudou-se mais um ano para a Amazônia, onde presenciou momentos e situações difíceis, após as quais o levou a acabar morando nas ruas do Rio de Janeiro. Lá estava ele quando descobriu a oportunidade de morar e trabalhar na EcoCaminhos.

    Sebastian é um chef profissional e costumava trabalhar em restaurantes onde a comida era frequente. Aqui na fazenda ele encontrou a oportunidade de entender melhor o que cozinha, aprendendo a produzir alimentos e como fazer a compostagem. De fato, seu horário de trabalho é dividido entre cuidar da agrofloresta, horta, compostagem e cozinhar almoços para a equipe.

    Ele se tornou parte da fazenda há seis meses como voluntário e rapidamente ganhou uma posição após 3 meses no programa de Jovem Aprendiz, graças à sua atitude positiva e trabalhadora.

    Até agora, ele se considera no mesmo caminho do EcoCaminhos porque ambos trabalham para preservar e cuidar do planeta buscando produzir e usar apenas o necessário. Emocionantemente, um dos próximos projetos da fazenda (Ecolibrium) será, entre outros objetivos, a realização de um restaurante que lhe dará a possibilidade de se estabelecer e se desenvolver profissionalmente.

     

     

    Cleiton, 24, Xerém – Brasil

       

     

    Finalmente, Cleiton.

    Esta é a terceira vez que Cleiton participa do programa da fazenda.

    Ele vem do subúrbio do Rio de Janeiro e viveu uma vida difícil em ambientes de drogas. Durante a sua primeira estadia aqui ele participou do programa de Reabilitação mas, apesar de algumas melhorias, não conseguiu obter sucesso.

    Como sempre dizemos, nosso objetivo é dar às pessoas menos favorecidas a oportunidade de se redimirem na vida, mas estamos cientes de que as mudanças só são possíveis para quem tem forte motivação e mentalidade para realmente superarem seus hábitos e problemas, e poderem melhorar suas condições de vida.

    Cleiton é um exemplo disso.

    Depois de deixar a EcoCaminhos pela segunda vez, voltou a se envolver em maus hábitos e ambientes de drogas. No entanto, ele também teve a chance de pensar em sua vida e percebeu o quanto poderia melhorá-la. Essas considerações o fizeram pedir para voltar à fazenda e, desta vez, aproveitar seriamente a oportunidade. As mudanças levam tempo para todos, especialmente em longo prazo, mas ele está dando o seu melhor e as pessoas que o conhecem há muitos anos podem reconhecer seus esforços e o quanto ele está melhorando.

    Quando retornou para a fazenda, Cleiton voltou a frequentar o programa de Reabilitação nos primeiros três meses, para depois passar para o programa Jovem Aprendiz, graças ao seu comportamento e resultados.

    Agora ele está atualmente em seu quinto mês.

    Conheça a primeira experiência de Cleiton em nosso artigo.

     

    Se você quiser saber mais sobre este programa, aqui você pode encontrar todos os detalhes.

     

    Não há necessidade de construir uma grande Ecofazenda ou cruzar o mundo para causar impacto social e ambiental. Partir da nossa realidade e hábitos pessoais já é mais que o suficiente. Acreditamos que a melhor maneira de fazer uma mudança no mundo é primeiro mudar e melhorar a nós mesmos, e temos certeza de que, se continuarmos nos esforçando para aprender e fazer o melhor, mesmo nossas pequenas ações terão um grande impacto positivo no mundo.

    Se você gostaria de contribuir com nosso Programa Jovem Aprendiz, sinta-se à vontade para entrar em contato conosco.