Categoria: Permacultura

  • Taioba: O Tesouro Verde da Agrofloresta

    Taioba: O Tesouro Verde da Agrofloresta

    A taioba, uma folha verde nativa da América do Sul, é um ator importante aqui na fazenda Eco Caminhos devido aos seus benefícios à saúde e utilidade na agrofloresta. Esta planta pode ser encontrada em cozinhas do Brasil, África e Trinidad e Tobago. Neste artigo, exploraremos as maravilhas da taioba, desde seu papel ecológico até suas aplicações culinárias.

     
    taioba leaves in a crate with natural cob walls in the backgroung

     

    Taioba no Sistema Agroflorestal

    A Taioba (Xanthosoma sagittifolium) desempenha diversas funções dentro dos sistemas agroflorestais. Em meio à diversidade de plantas, a taioba não só prospera, mas também ajuda a manter a umidade do solo e a proteger contra a erosão, graças às suas folhas grandes. As folhas da taioba atuam como biomassa, ajudando a manter o solo fofo e úmido. Essa característica é essencial para proteger as raízes das árvores e proporcionar sombra às pequenas mudas de café, criando um ambiente mais favorável ao seu desenvolvimento inicial. A sua presença contribui significativamente para a saúde do ecossistema, promovendo a diversidade biológica e a sustentabilidade agrícola.

    Nas fotos em baixo você pode ver nossos sistemas agroflorestais (SAF) em diferentes etapas. No SAF recém-plantado (esquerda), é fácil perceber como a taioba cria sombra para a muda de café abaixo. O SAF mais maduro (à direita) mostra o inhame, que desempenha um papel semelhante ao da taioba entre uma maior diversidade de plantios mais antigas. Fique atento, pois a folha do inhame, embora semelhante em aparência e função à taoiba, não é segura para consumo; entretanto, a raiz de inhame é comestível e deliciosa.

    agrofloresta
    Veja como a taioba interage com outras plantas neste sistema agroflorestal com cinco meses de existência
    agrofloresta
    O inhame desempenha um papel semelhante ao da taioba neste sistema agroflorestal mais maduro

     

    Benefícios Para a Saúde & Preparação

    Além de suas funções dentro de um sistema agroflorestal, a taioba é uma rica fonte de nutrientes essenciais. Rica em vitaminas A e C, cálcio e ferro, a taioba oferece benefícios significativos à saúde, incluindo o fortalecimento do sistema imunológico, a promoção da saúde ocular e a manutenção de ossos e dentes saudáveis. Além disso, suas baixas calorias o tornam um excelente alimento para incluir em dietas balanceadas.

    Porém, a taioba requer preparo adequado porque contém ácido oxálico. O ácido oxálico também é encontrado em alimentos como espinafre e outros vegetais de folhas verdes. Quando consumido em grandes quantidades, o ácido oxálico pode causar irritação nas mucosas. O preparo adequado da taioba, principalmente por meio do cozimento, anula esses efeitos adversos, tornando-a segura para consumo. Tradicionalmente, as folhas da taioba são consumidas cozidas em ensopados, sopas ou tortas. Quando cozida, esta folha verde apresenta sabor suave e agradável.

     

    Receita de Taioba Refogada

    Ingredientes:

    1 molho de taioba (10 folhas)
    2 dentes de alho
    2 colheres de sopa de azeite
    Sal a gosto

    Passo a passo:

    1. Lave bem as folhas em água corrente para remover qualquer sujeira ou resíduo.
    2. Retire o talo e corte em tiras ou pedaços.
    3. Refogue o alho no azeite em fogo médio até ficar perfumado.
    4. Adicione a taioba e sal a gosto.
    5. Mexa ocasionalmente, até que a taioba reduza a metade do volume original.
    6. Depois que a taioba reduzir para 50% do volume original, abaixe o fogo.
    7. Quando a taioba estiver cozida até obter uma textura que lembra espinafre cozido, ela estará pronta para servir e saborear!
  • Estudantes Canadenses constroem parque em escola de Nova Friburgo.

    Estudantes Canadenses constroem parque em escola de Nova Friburgo.

    Vindos do Canadá direto para o bairro de Cordoeira – participam de uma ação em escola local, constroem parque e participam de projeto de Bioconstrução e Agrofloresta em parceria com a ‘Eco Caminhos’.

     

    Em parceria com o programa social OFFGRID temos o prazer de receber um grupo de alunos da escola Sainteanne, no Canadá, para nos ajudar a construir um playground em uma escola em Nova Friburgo – Escola Municipal Padre Rafael, no bairro Cordoeira.

     

    Vieram para nos ajudar com muito amor, paixão, entusiasmo e felicidade espalhando por nossa comunidade e também nos dando uma mão na massa em nosso projeto de permacultura no Eco Caminhos.
    Eles são de muitas partes do globo temos húngaros, russos, espanhóis, indianos, chineses, italianos, ingleses e franceses todos juntos em uma missão que começou na segunda-feira, 6, onde permanecerão até 22 de março.
    Essa é uma ótima oportunidade para eles aprenderem uma nova língua como o português e também sobre diferentes culturas e costumes.

     

     

    Bart ressalta que a experiência é rica tanto para os estudantes que vêm de outros países quanto para os jovens brasileiros:

    Aqui eles têm oportunidade de conhecer uma língua estrangeira e entender que jovens do outro lado do mundo são iguais, apenas são de outra cultura, com raça e língua diferentes, mas possuem muitas coisas semelhantes e nos faz crer que o mundo é muito menor do que a gente imagina. 

    Os recursos financeiros para a construção do Parque Escolar fizeram parte de uma doação dos alunos e eles estão atuando como voluntários. É um gesto maravilhoso!
    O projeto OFFGRID é um projeto bilíngue que segue a visão de desenvolvimento de crianças e jovens através de hábitos e habilidades sustentáveis humanizadas.

     

    João Guilherme Wermelinger, dentista que participa do projeto ‘Off Grid’ na escola Padre Rafael disse que está cheio de expectativas:

    Tenho certeza que serão dias de descobertas, esperança, diversidades e inclusões, servidos de altruísmo e também empatia.

     

    Os sete jovens estudantes de diversos cantos do mundo são acompanhados por uma professora e também vão produzir um documentário sobre turismo sustentável, que faz parte da conclusão do programa escolar deles.

    Além das intervenções e benefícios da escola no Cordoeira, os estudantes terão vivências agroflorestais, vão aprender sobre Bioconstrução, além de atividades de lazer como trilhas, e passeios em cachoeiras da cidade.

     

    Oportunidades como essa são de extrema importância tanto para os jovens estrangeiros que vem fazer um intercambio em terras brasileiras quanto para os jovens daqui, que passam a enxergar mais possibilidades para um futuro melhor, a importância de cuidarmos do nosso meio ambiente utilizando de praticas sustentáveis para um bem maior da comunidade e do planeta em que vivemos. É fato de que essa imersão proporcionará uma nova visão de mundo a esses jovens e acreditamos que estamos seguindo no caminho certo em busca de um futuro melhor.

  • Uma rede de dar e receber — vínculos surpreendentes entre agrofloresta e trabalho social

    Uma rede de dar e receber — vínculos surpreendentes entre agrofloresta e trabalho social

    Por Matthew Huska, voluntário

    Em vez de abordar a melhoria da vida e o cultivo de alimentos como uma equação matemática de somas e subtrações, a Eco Caminhos pratica uma filosofia de sistemas autossustentáveis e auto-reforçados.

    Uma equipe eclética

    Na fazenda de permacultura Eco Caminhos, o trabalho começa às sete. Os voluntários se amontoam na traseira da picape para evitar a difícil subida até o coração da fazenda. O carro sobe a encosta da montanha em primeira marcha com sua carga humana acondicionada como batatas fritas.

    Reunimo-nos na Colmeia, onde acontece o almoço, os processos com os vegetais e as reuniões diárias.

    Chamar de diverso o grupo de pessoas que se encontram na Colmeia todas as manhãs é um eufemismo. A multidão é completamente eclética.

    Se nossa comunidade fosse uma colcha de retalhos, teria quadrados de caxemira fina ao lado de ceroulas puídas. É incrível que todos nos dêmos bem, mesmo que não nos comuniquemos. No entanto, de alguma forma, esse parece ser o ponto.

    Colmeia funciona como um jogo de palavras, um duplo sentido, como a colmeia da atividade. Além disso, o sobrenome de Bart Bijen significa “abelhas” em holandês.

    Uma comunidade eclética

    O grupo principal de trabalhadores da fazenda são os aprendizes. Bart, o fundador e diretor do projeto, conhece a maioria deles a muito tempo, da época em que dirigia um orfanato no Rio de Janeiro. Sem exceção, eles vêm de origens difíceis e alguns ainda lutam com velhos vícios. São eles que nos ensinam, recém-chegados e de curto prazo, como fazer nossas tarefas.

    Os voluntários vêm por apenas alguns dias ou até um ano ou mais. Eles também vêm de vários lugares. Desde que estamos aqui, trabalhamos ao lado de uma brasileira aposentada, dois holandeses em idade universitária (não se conheciam antes de vir), uma garota americana recém-saída do ensino médio, duas arquitetas italianas fazendo uma pausa de suas carreiras ocupadas na Alemanha (uma coincidência total, eles também não se conheciam antes de vir), e uma família bangladesh-canadense com dois meninos. Esses são apenas para citar alguns.

    Depois, há nós: uma família americana de cinco. Financeiramente medíocre para os padrões dos EUA, mas bastante rico para os padrões brasileiros. Viajando para o exterior por um ano. Tentando redefinir nossas vidas e reimaginar nosso futuro.

    Todo mundo está aqui por razões diferentes e tem uma série de expectativas para a experiência. Cada voluntário está sob diferentes prazos e período. Alguns de nós pagam generosamente, alguns ficam de graça, outros estão em algum lugar no meio disso. Alguns trabalham cinco dias, outros três, outros têm um horário mais flexível. Todos nós temos forças e fraquezas muito diferentes. Damos e recebemos.

    Uma colheita sendo processada na Colmeia.

    Noções básicas de agrofloresta (de alguém que nunca cultivou um jardim)

    Após nossa reunião de abertura, nos dividimos em várias equipes. A maioria estará cuidando da agrofloresta. Cada aprendiz conduz um grupo de voluntários temporários a um dos sistemas agroflorestais. É aí que os vilões das cidades do mundo desenvolvido aprendem a função mais básica da civilização: colocar comida na mesa.

    Esqueça tudo o que você sabe sobre plantar um jardim. Este não é o seu quadrado de terra, seccionado com etiquetas fofas no final de cada linha e amplo espaço entre cada broto.

    Em termos mais simples, agrofloresta é a agricultura que imita uma floresta. A selva não se divide em monoculturas. As plantas crescem (às vezes literalmente) umas sobre as outras. Cada árvore, trepadeira e arbusto se amontoa onde quer que haja um centímetro quadrado de terra e um raio de sol.

    Isso não quer dizer que não haja ordem em uma floresta natural. Não é apenas onde você pensaria em olhar.

     

    Ordem na floresta

    As florestas se ordenam verticalmente. Eles crescem em estratos.

    No topo, os estratos emergentes e altos recebem o peso da luz do sol. Isso está longe de ser um ato altruísta. Essas espécies anseiam pela luz solar para a fotossíntese. Como um valentão que abre caminho para frente da fila, eles egoisticamente disparam e roubam o máximo de sol que podem.

    Espécies do estrato inferior – como este programador gringo que não vê uma praia há nove meses – seriam incendiadas na luz direta do sol. Espécies como o café prosperam na sombra parcial. Eu posso lidar com o café.

    Essa é apenas uma das maneiras mais visíveis pelas quais as diferentes espécies se apoiam. Sob a superfície, os sistemas radiculares se comunicam e compartilham recursos por meio de teias de fungos. Algumas plantas fixam nutrientes no solo. Outros deixam cair suas folhas e galhos, construindo o solo e cobrindo-o para reter a umidade. Provavelmente, existem maneiras pelas quais as plantas ajudam umas às outras que os humanos ainda não observaram.

    A vida vegetal é realmente misteriosa. Cada planta em um ecossistema participa de uma complexa teia de dar e receber. E essa rede responde a ameaças sistêmicas. Diz-se que a poda de uma árvore em determinado sistema estimula o crescimento de outras árvores vizinhas.

    Podemos não ser capazes de decifrar tudo como em um modelo de computador. Mas, seguindo o exemplo da natureza e plantando florestas, pensando assim, podemos recriar a abundância da natureza para nós mesmos.

    Aqui vemos o imponente eucalipto. Esta é uma espécie emergente de rápido crescimento que protege o solo com suas raízes e produz uma excelente madeira dura.
    As bananeiras, além de produzirem os frutos que conhecemos e amamos, são as espécies preferidas para fazer sombra por causa de sua folhagem grande e crescimento rápido. Seus caules e troncos também podem ser utilizados como biomassa e reter a umidade do solo. Elas são consideradas estrato alto.

     

    Uma visão de perto da eficiência, bem como da complexidade, do uso da terra, ao plantar diferentes espécies juntas em locais apertados.

    Lições surpreendentes da agrofloresta

    O etos e princípio orientador da agrofloresta é a variedade e a complexidade. Misture o maior número possível de espécies em um lote de terra. Plantar em excesso. Você sempre pode diminuir mais tarde e se beneficiar da biomassa adicionada (um termo chique para merda morta, bem, merda).

    Isso viola tudo o que você já aprendeu sobre jardinagem e plantio.

    É difícil apreciar completamente a genialidade dessa abordagem até que você esteja literalmente no mato cuidando dela. No meu caso, eu estava tirando um dia das minhas tarefas habituais de bioconstrução e fui ajudar a colher cebolinha.

    As cebolas enfiaram suas lanças afiadas tubulares entre os alfaces. Os talos de milho se elevavam sobre o abundante sub-bosque, afastando os raios mais severos da luz do sol.

    Enquanto eu procurava a base dos talos de cebola, senti o solo solto e úmido por baixo, protegido da dessecação pela sombra e regenerado pela matéria vegetal em decomposição deixada pela poda, desbaste e capina anteriores.

    Não era preciso ser um especialista em agricultura para sentir que o solo era saudável e cheio de vida. Mas quem consegue acompanhar toda essa complexidade?

     

    Deixando a natureza fazer o trabalho

    À primeira vista, a agrofloresta parece desastrosamente complicada de gerenciar. É o oposto de racionalização e simplificação. Esforça a mente para lembrar onde está o quê. Todos os tipos de coisas estão amadurecendo ao mesmo tempo em lugares diferentes. E outros lugares precisam de novas sementes. É de se perguntar como tudo é cuidado com apenas um punhado de voluntários.

    Mas toda essa complexidade vem com uma grande vantagem. Ela cuida de si mesmo. A rede de dar e receber entre as plantas, o solo, os insetos e o resto do ecossistema resolvem seus próprios problemas. Ninguém precisa cuidar de uma floresta para ajudá-la a crescer e sobreviver. Ela apenas faz.

    Compare isso com uma colheita que eu costumava ver quando criança crescendo no norte de Wisconsin – ginseng. Testemunhei campos até onde a vista alcança plantados com esta única espécie de raiz lucrativa. Como seu nicho natural é o chão da floresta, os agricultores fabricavam sombra artificial usando uma imensa quantidade de postes de madeira para segurar o pano de sombra. (Se você nunca viu um campo de ginseng, este artigo tem algumas boas fotos).

    Plantar uma única safra de ginseng parece simples até que você considere todas as entradas de dinheiro, material e esforço necessários. Em outras palavras, você está derrubando uma floresta viva real, transportando-a com energia de combustíveis fósseis e construindo meticulosamente uma simulação morta (e feia) de uma floresta. É caro. Por que não economizar o trabalho e plantá-lo em uma floresta? E quando terminar, você ainda terá as árvores para colher madeira.

    A agrofloresta acaba com os insumos artificiais e delega esses problemas à natureza.

    Todos podem fazer isso?

    Então, por que nem todo mundo faz isso? Agora!

    Não sendo um agricultor, ou mesmo um jardineiro, não estou em condições de dizer aos agricultores convencionais o que fazer. A longo prazo, a Eco Caminhos espera provar ser um modelo de trabalho para outros agricultores da região. Mas até que possa obter um lucro saudável com sua operação agroflorestal, até esse dia chegar devemos esperar. (Por enquanto, ela ganha a maior parte de seu dinheiro com o ecoturismo.)

    Tenho minhas próprias dúvidas sobre a agrofloresta como uma solução universal imediata. Enquanto eles estão fazendo isso, eu questiono sua escalabilidade. Se você pegasse a terra usada para produção na Eco Caminhos e descobrisse quantas pessoas ela alimenta, depois extrapolasse para todas as terras agrícolas do mundo, ela atenderia às necessidades do mundo? Não tenho certeza e não sei se alguém já tentou descobrir. Parece muito experimental no momento para dar esse salto.

    Aqui está outro obstáculo. Um agricultor de recursos modestos poderia se converter à agrofloresta e rapidamente obter lucro? Se a resposta for não, então a técnica ainda está disponível apenas para amadores com dinheiro para investir ou como renda alternativa para enfrentar os anos não lucrativos.

    Mas esses amadores ainda podem estar desempenhando uma função crítica. Uma pessoa que viveu na década de 1950 teria se enganado ao criticar os primeiros computadores mainframe como impraticáveis ​​para o consumidor médio. Sem esse estágio inicial de desenvolvimento, você não estaria lendo este post hoje no dispositivo em sua mão ou no seu colo.

    Talvez, um dia, meus bisnetos dirijam pela interestadual pelo meu estado natal de Illinois cercado por florestas em vez de campos de milho.

    Bart demonstra como se faz o plantio de árvores.
    Aprendendo a plantar mudas com uma criança de três anos amarrada nas costas.

    Para os cínicos: quem está se beneficiando disso?

    Então, de volta àquela equipe de trabalho eclética. Inicialmente, isso se apresentou como um quebra-cabeça para mim. Quem está nesse lugar realmente para servir? Quem estava sendo usado e quem estava se beneficiando?

    Talvez seja porque eu venho de um país onde os dois principais polos ideológicos aceitam como dogma que um grupo sempre se ferra (só não conseguem concordar em quem). Mas não pude deixar de especular sobre a hierarquia da Eco Caminhos.

    É uma mente doentia que assume a explicação mais cínica como dada e depois parte daí. Mas vivo em um mundo doente, saturado por um ambiente midiático que é doente também. Então eu deixei o experimento mental acontecer.

    Os aprendizes nascidos no Brasil estão sendo explorados a serviço dos visitantes nascidos no exterior que vêm para uma “experiência”?

    Ou os estrangeiros abastados estão sendo usados ​​como fonte de renda para sustentar a visão: um ambiente onde jovens azarados possam desenvolver suas carreiras?

    Joguei as peças como cacos de vidro em um caleidoscópio. Cada arranjo cínico parecia plausível, mas nenhum pareceu com a resposta óbvia.

    Outra possibilidade: comunidade como ecossistema

    Sujar as mãos nos sistemas agroflorestais me fez pensar em outra possibilidade. Talvez as comunidades humanas, quando cuidadas, funcionem como ecossistemas saudáveis.

    Intencionalmente ou não, o mesmo tipo de pensamento que confia a saúde das plantações ao equilíbrio natural da floresta parece ter se infiltrado na abordagem da comunidade na Eco Camhinos.

    Bart, o proprietário da fazenda, descreveu como alguns dos voluntários e visitantes que ele aceita, explicitamente, vêm para reabilitação. Alguns têm depressão. Alguns têm vícios. Outros vêm para colocar sua vida de volta nos trilhos, se é que já esteve nos trilhos para começar.

    Bart admite prontamente que não é terapeuta e não tenta ativamente tratar ou aconselhar as pessoas. Ele credita o ambiente natural e a estrutura da fazenda como um fator de cura. Mas também me pergunto se nossa comunidade funciona como as plantas do sistema agroflorestal. Cada membro ocupa um nicho. Cada um prontamente dá algo que o outro precisa.

    Visto de fora, combinar o turismo internacional com um programa de reabilitação local parece absurdo. Eles nem pertencem à mesma parte da cidade. (Embora, suponho, viajar pode ser uma espécie de reabilitação.)

    No entanto, a comunidade da Eco Caminhos, de certa forma, imita a rede autossuficiente da natureza. Este não é o seu clichê desgastado do turista do mundo desenvolvido reunido que vem e mostra ao resto do mundo como viver. Tampouco é a contra história igualmente desgastada, onde a viajante do primeiro mundo sai da sua zona de conforto para se transformar.

    Uma rede de dar e receber

    Aqui não há herói. Nenhum beneficiário principal. Nenhuma vítima. Em vez disso, cada um vem com seu próprio motivo de interesse próprio. Alguns de nós procuram uma experiência. Um lugar para se recuperar. Um lugar para se conectar com a natureza. Ou um lugar para escapar de velhos demônios.

    Mas uma vez que chegamos, todos nós temos algumas coisas em comum. Partilhamos o trabalho e a visão. Compartilhamos refeições, as louças, as belas vistas do vale e um treino de cardio cada vez que subimos a montanha para nos encontrarmos na Colmeia ou para procurarmos uma ferramenta. Essas são as coisas que nos unem.

    No entanto, ainda somos pessoas muito diferentes. E é aí que a mágica acontece. Todos nós contribuímos com algo especial, algo único da nossa personalidade. Às vezes é algo observável, como uma habilidade que pode ser ensinada ou praticada. Outras vezes é inefável – uma atitude, uma história de vida, um certo tipo de presença.

    Para quem busca a reabilitação, o processo é orgânico, não prescrito. Para aqueles como nós que buscam um novo modo de vida, experimentamos um modelo saudável e autossustentável para ampliar nosso campo de possibilidades. Seja qual for o caso, estamos atingindo nossos objetivos sem entender completamente como. Isso acontece com tanta certeza quanto as alfaces absorvem nitrogênio dos feijões, como as árvores emergentes projetam suas sombras nos campos abaixo.

    Minha tarefa usual envolveu construir este quarto de ferramentas bioconstruído. Ao terminar, o quarto deve economizar algumas viagens pela montanha para quem trabalha nos campos mais baixos.
    Voluntários trabalhando nos campos e no quartinho bioconstruído.
    Uma das vistas com as quais podemos nos deleitar sempre que olhamos de cima.
  • Passo a passo para a  preparação do solo da horta orgânica (utilizando biomassa)

    Passo a passo para a preparação do solo da horta orgânica (utilizando biomassa)

    Uma das questões que por vezes mais causa dúvidas em quem deseja desenvolver uma horta é a preparação do solo. Se você busca ter uma horta saudável, rica em variedades e produtiva, preparar o solo de maneira correta e muito importante. Vamos te ensinar passo a passo na construção de uma horta organizada, sem o uso de agrotóxicos e com biomassa.

    Primeiramente, você deve limpar o seu terreno. Tire todo o mato dele. Não só os corte, mas tire-os pela raiz. Se você deixar as raízes o mato vai voltar a crescer e você vai ter que repetir a limpeza. Além desse trabalho extra, que pode ser facilmente evitado, as plantas indesejadas podem acabar roubando os nutrientes dos legumes e das hortaliças que você vai plantar. Então, tenha certeza de retirar tudo que não é desejado.

    Depois de limpar o terreno, você vai fazer a aração. Mas o que é isso? Arar o solo nada mais é que colocar “ar” nele.  Durante a limpeza do terreno você já vai ter remexido na terra, o que de certa forma pode servir como uma leve aração, mas repita o processo de maneira mais intensa. Busque descompactar a terra, deixando-a mais fofa para as raízes das plantas, pois assim elas vão poder se desenvolver com mais facilidade.

    Depois de arar está na hora de dividir o seu espaço. Dependendo do tamanho do seu terreno você terá que criar caminhos para poder andar. Há várias formas de fazer a divisão, isso vai depender do que você quer plantar e da dimensão do seu lugar.

    Aqui na Fazenda Eco Caminhos nós separamos cada canteiro por  um metro de distância. Para facilitar, utilizamos estacas para separar a área. Não faça isso no “olhômetro”, pois as chances de dar errado são altas e isso pode acabar atrapalhando na hora do plantio. Use de uma fita métrica, meça seu espaço, marque com a estaca e depois repita essa ação do lado paralelo do canteiro deixando-as o mais alinhado possível. Quando as estacas estiverem colocadas uma alinhada à outra, ligue-as com um barbante.  Assim, você terá visualmente o lugar dos seus canteiros.

    Com os espaços já definidos está na hora de começar dar forma à sua horta. Com a ajuda de uma enxada, faça “morrinhos”. Tenha em mente que a terra precisa ficar bem fofinha para sua  planta se desenvolver com facilidade e saúde. Faça esses morrinhos seguindo visualmente o barbante. Tome cuidado em deixar um espaço entre os canteiros para você conseguir se locomover entre eles.

    Com os morrinhos já feitos, você pode retirar os barbantes e as estacas. Dica: não corte as linhas, amarre-as de um jeito que possam ser retiradas sem danos, pois assim você poderá reutiliza-las. 🙂 Outra coisa, tome muito cuidado para  não pisar nos canteiros. O peso do corpo pode acabar compactando a terra novamente.

    Agora, chegou a hora de darmos “forma” aos canteiros.  De maneira delicada, achate os morrinhos de terra dando um formato de “u” nos seus topos. Não precisa ser muito profundo, mas deixe uma leve angulação, pois assim todos os nutrientes vão se acumular no meio dele. Se o topo ficar muito alto os nutrientes irão escorregar pelas bordas.

    Com isso feito está na hora de colocarmos o adubo nas pequenas valas que nós formamos. Vamos colocar o adubo “dentro do u”. O adubo pode ser da sua preferência, aqui na Eco Caminhos utilizamos o tradicional esterco de bovino.

    Depois do esterco aplicado nós vamos colocar a cobertura verde nos nossos canteiros. A cobertura verde, ou biomassa, é parte essencial de uma horta, pois além de proteger sua plantação dos raios do sol, ela ajuda a manter a umidade do solo e também serve como substituto para os adubos químicos.

    A biomassa nada mais é que plantas, cortadas ou roçadas.  Ao invés de serem descartadas, elas poderão ser reutilizadas na sua horta. Uma coisa importante é que essas plantas não podem estar com raízes, pois neste caso elas podem se fixar no solo e ao invés de proteger suas hortaliças, elas servirão como sanguessugas de nutrientes.

    A biomassa além de manter sua terra mais forte e saudável, pois não tem o uso do adubo químico, é muito mais barata, pois ela pode ser retirada da própria terra. Além disso, ela tem também a capacidade de suprimir o crescimento de ervas daninhas.

    Como já dito, a biomassa protege o solo dos raios e do calor irradiado do sol, mas para  melhor resultado o responsável pela terra deve se atentar com a posição do astro em relação ao seu canteiro. Veja em quais lugares o sol bate com mais intensidade durante o dia. Veja como a sua terra reage a ele. Se ela ficar muito seca, sem umidade, aplique mais biomassa na região. A cobertura verde vai impedir o contato direto dos raios com a terra.

    Levando esses principais pontos em consideração o seu solo vai estar amistoso para sua plantação, protegido do sol, das ervas daninhas e adubado de maneira natural, sem o uso de agrotóxicos.

    por: Alice Beraldo Jevoux (Voluntária de Comunicação na Fazenda Eco Caminhos)

     

  • Margaridão | Um dos primeiros passos da Agrofloresta da Eco Caminhos

    Margaridão | Um dos primeiros passos da Agrofloresta da Eco Caminhos

    Um dos projetos de longo prazo mais importantes da Eco Caminhos é a Agrofloresta. E o primeiro passo dela já está sendo executado pela equipe chefiada pelo engenheiro florestal Bruno Nirello. O início da Agrofloresta foi dado com o plantio de Margaridão (Tithonia diversifolia). A ideia é utilizar os nutrientes da planta para melhorar a qualidade do solo.

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    “Após ser podada e aplicada em hortas e no solo da nossa Agrofloresta, o Margaridão ajuda na obtenção de nitrogênio, potássio, cálcio e magnésio”, explicou Bruno, que também falou sobre os planos de utilizá-lo já no inverno. “Como ele é uma planta do verão, agora ele não vai se desenvolver muito, mas já estamos plantando para que eles estejam preparados para serem usados quando a sua estação chegar”.

    Outra função interessante do Margaridão para a Agrofloresta foi explicada pela agrônoma Anastacia Almeida. “Apesar dele ser uma espécie exótica da América Central, ele vem com o maior propósito de trazer biomassa para a Agrofloresta. Além disso, por ter abundância de flores, ele traz muitos polinizadores, tais como as abelhas. E isso faz com que aumente a biodiversidade e também proporciona mais autonomia à Agrofloresta”.

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    O primeiro processo utilizando o Margaridão na Agrofloresta da Eco Caminhos foi feito durante as últimas semanas. Além da equipe ter plantado centenas de mudas por meio de estaquias, parte dos Margaridões colhidos foram moídos e utilizados para adubar a horta local e preparar o solo que será utilizado para as próximas etapas do projeto.

    Depois do Margaridão, Bruno já tem em mente quais serão os próximos passos da Agrofloresta da Eco Caminhos. “Por causa do inverno, plantaremos tremoço (sementes das plantas fabáceas, conhecidas por tremoceiro, do gênero Lupinus) e aveia preta (Avena strigosa Schreb). O tremoço tem a mesma função do margaridão, mas se desenvolve melhor no inverno. Já a aveia preta, que também é de inverno, é uma gramínea forrageira que fixa bastante fósforo”, explicou.

    Confira o vídeo que ilustra um pouco o processo de colheita e de moída do margaridão:

    Se interessa por Agroflorestas? Você também pode ser um voluntário. Leia mais aqui.