Autor: bart bijen

  • Uma Ilha no meio das Montanhas

    Uma Ilha no meio das Montanhas

    Quando você chega em Nova Friburgo, no estado do Rio de Janeiro, e você pergunta para as pessoas como chegar ao bairro rural de Cardinot, eles respondem: “Cardinot? É meio longe, você tem que pegar um ônibus para chegar lá, mas você não sabe quando ele chega ou quanto tempo ele vai levar para fazê-lo.” Outros irão dizer que é um local muito isolado.

    Em português a origem da palavra “ïsolado” é relacionada à “ilha”. Bem, se pensamos em uma ilha como sendo capaz de fornecer comida e energia e não sendo auto-destrutiva, nós podemos dizer que o que estamos tentando criar em Cardinot é uma ilha. E sem um mar em volta dela, não existe ilha: sem a interação com a vizinhança e outras comunidades nós não estaríamos preenchendo uma parte dos nossos objetivos, que são o desenvolvimento social, a troca de conhecimentos, experiências, e sorrisos.

    Aqui na Eco Caminhos, aquela ilha nas montanhas, nós estamos abrindo o caminho que vai nos levar na direção daqueles sonhos dia após dia. Nós temos o desafio de lidar com a nossa própria micro-comunidade, com as diferenças culturais e comportamentais nela, entendendo que o projeto só pode avançar se nós vermos cada possível conflito de forma positiva e se buscarmos por uma mudança interior em vez de modificar o outro.

    Essa é uma das motivações de se estar trabalhando em um projeto que nós mesmos escolhemos. Se eu estou me sentindo desconfortável com a quantidade de toxinas e de hormônios sintéticos que eu como por ano, se o meu trabalho não contribui para a sociedade do modo que eu gostaria e consume muitas horas da minha vida, me deixando sem tempo para os meus sonhos e me forçando a consumir produtos e serviços pré-fabricados porque eu tenho que tentar compensar por todo o tempo perdido que eu não pude dedicar a mim mesmo, então porque não tentar em vez disso simplesmente mudar a mim mesmo ?

    Qual é o projeto que eu quero ajudar a crescer ? Essa é uma das questões que todo mundo pergunta frequentemente aqui. A idéia da Eco Caminhos é oferecer às pessoas a  oportunidade de desenvolver os projetos e as idéias que eles gostam, de oferecer experiências para a comunidade e ao mesmo tempo dar à elas a oportunidade de suprir suas próprias necessidades, energeticamente, em termos de comida, ou economicamente, e sempre mantendo o equilíbrio com quem proporciona tudo isso para nós: o planeta Terra. Existe muito trabalho para ser feito por aqui, e a coisa mais importante é que o que você faz e produz esteja alinhado como que você acredita, e isso é belo!

    Aqui nós usamos muita energia física e isso nos reconecta com a terra; isso pode nos levar a descobrir dores de músculos esquecidos e nos convida a olhar para as coisas que fazemos com cuidado e atenção. Uma vez eu estava perguntando sobre como aprumar uma parede de cob (cob é uma mistura de areia, argila, água e palha) e eu fui ensinado que nós deveríamos deixar isso direito, mas ao mesmo tempo deixar isso macio e com formas leves. Um dos voluntários aqui, Roger, disse no final da lição com o seu português ainda em desenvolvimento “Eu gosto de fazer isso ! De trabalhar para que as coisas fiquem bonitas.”

    Mais tarde nós falaremos mais sobre as pessoas, os próximos projetos e o conhecimento e experiências aqui na nossa vida cotidiana: compartilhar é cuidar, compartir es cuidar, partager est proteger, delen is weten

     

  • Qual tragédia te representa? Ou, qual tragédia a mídia te faz representar?

    Qual tragédia te representa? Ou, qual tragédia a mídia te faz representar?

    O papel do jornalismo é – ou deveria ser –, segundo o jornalista Claudio Abramo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter. Porém, nos dias atuais, se não houvesse um tipo de seleção natural entre as mídias, onde a elite estivesse sempre à frente de qualquer verdade (como um predador), teríamos um jogo de interesses mais justo e menos caótico.

    O maior acidente ambiental do país, que ocorreu dia 5 de novembro na cidade mineira de Mariana – causada pela irresponsabilidade da mineradora Vale do Rio Doce – pode não ter sido anunciado com a mesma astúcia que o dia sangrento dos atentados em Paris, no último dia 13 de novembro.

    Tragédias e notícias ruins não deveriam ter grau de importância e, muito menos, espaços reservados na velha mídia, para que as mesmas sejam devoradas pelos espectadores de uma forma a deixarem todos obcecados pelas imagens do “outro”. E a nossa imagem?

    Não há como comparar e nem é cabível relacionar as tragédias, mas o ator social e a localização de ambas são diferentes. Houve um silenciamento da velha mídia brasileira perante a anunciada tragédia de Mariana quando os atentados em Paris ocorreram. Um esquecimento? Como esquecer dezenas de pessoas, fauna e flora devastadas pela lama tóxica por meio de uma famosa mineradora?

    Duas tragédias horripilantes. Fato. Mas, como a velha mídia e seus espectadores sedentos por informações do primeiro mundo se portaram? As notícias foram transmitidas com as mesmas nuances de importância? Ficou claro quem realmente foram os atores das tragédias? Por que mudar o meu avatar do Facebook em prol de Paris ou de Mariana simbolizaria o modo como a informação chega a você e como a absorve/consome?

    Tenho apenas as indagações. Prefiro deixar perguntas no ar para que os leitores reflitam sobre como absorvem informações e símbolos que povoam a mídia. Como diz BAITELLO Jr., Norval (2005, p. 54):

    Assim, há tempo as imagens procedem de outras imagens, se originam da devoração de outras imagens. Teríamos aí o primeiro degrau da iconofagia. As imagens que povoam nossos meios imagéticos se constituem, em grande parte, de ecos, repetições e reproduções de outras imagens, a partir do consumo das imagens presentes no grande repositório.

    Finalizo com a seguinte pergunta: Estamos ecoando o que, realmente, nos representa?

     

  • Círculos de convivência definem adoção de hábitos sustentáveis, mostra pesquisa

    Círculos de convivência definem adoção de hábitos sustentáveis, mostra pesquisa

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    Os hábitos e o exemplo de amigos, parentes e colegas de trabalho são determinante para a adoção de atitudes relacionadas à sustentabilidade no dia a dia, diz o estudo Caminhos para Estilos Sustentáveis de Vida. Foram entrevistados homens e mulheres de diferentes idades e classes sociais. A metade deles tinha algum engajamento nesse tipo de prática e a outra metade, não. A pesquisa mapeou nove fatores que propiciam a incorporação de atitudes sustentáveis e seis situações que dificultam a mudança do modo de vida. O lançamento marca o Dia do Consumo Consciente, celebrado hoje (15 de outubro).

    De acordo com o resultado das entrevistas, para se sentir parte de um grupo, a pessoa tanto pode adotar ações em prol da sustentabilidade quanto evitar mudança de hábitos. “Tanto atrapalha quanto ajuda muito quando a pessoa consegue se sentir parte de um grupo. Quando se fala de um grupo, não é necessariamente família. É um grupo de amigos, de trabalho, é a escola dos filhos”, ressaltou a gerente de Comunicação do Instituto Akatu, Gabriela Yamaguchi. O Akatu é uma organização não governamental que trabalha pela conscientização da sociedade para o consumo consciente.

    Entre os fatores que influenciam positivamente na prática de atitudes sustentáveis foram identificados: a possibilidade de tais ações tornarem a vida mais simples, o balanço positivo da mudança de hábito, a economia financeira, a praticidade e o conforto, a oportunidade de contribuir para melhorar o mundo, a inspiração em outras pessoas, a sensação de fazer parte de algo maior, a sensação de mudar a própria vida positivamente e a possibilidade de começar com pequenos passos.

    Entre os empecilhos, foram citados a percepção de desconforto com as novas práticas, os obstáculos físicos (idade, saúde ou condição física), limitações do espaço da residência, preço mais alto, valorização cultural da limpeza (obstáculo à redução da frequência do uso de água e energia) e percepção de isolamento.

    Segundo o estudo, a participação na coleta seletiva e a reciclagem são atitudes que levam as pessoas a começar a se preocupar com o uso racional de recursos. “O primeiro pontapé é a reciclagem, o trato adequado dos resíduos. As pessoas que já estão com repertório grande entenderam como fazer a reciclagem, já deram o primeiro passo. Elas podem também estar mais abertas a dar os próximos passos”, destacou Gabriela.

    O professor do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, Ricardo Abramovay, por sua vez, lembrou que as empresas também têm papel fundamental na adoção de novos hábitos pela população. “As mudanças de comportamento das empresas são determinadas de forma muito forte por aquilo que fazem as pessoas. Corremos o risco, ao falar de mudança de comportamento das pessoas, de inverter essa equação. Como se, dadas as preferências das pessoas, as empresas se adaptam”, explicou Abramovay.

    Gabriela também enfatizou esse papel. “Quanto maior a oferta de produtos e serviços sustentáveis pelas empresas, maior pode ser também a adoção pelos consumidores. Eles são viabilizadores das práticas nas casas das pessoas”, disse. Além de oferecer os produtos, ela também ressaltou a importância da comunicação das companhias apontarem as razões de se fazer opções mais sustentáveis. “ A pesquisa tem esse objetivo: Ajudar as empresas que já estão lançando tais produtos para que sejam divulgados de uma maneira que as pessoas entendam a importância dessa troca e dessa escolha”.

    Fonte: Agência Brasil.

  • Eco Caminhos no Jornal A Voz da Serra

    Eco Caminhos no Jornal A Voz da Serra

    O jornal A Voz da Serra, de Nova Friburgo, publicou hoje uma matéria muito interessante sobre a Eco Caminhos. Nossa equipe ficou muito contente com o resultado: uma página inteira com fotos dedicada ao conhecimento dos leitores sobre os nossos objetivos como empresa e projeto social.

    Com certeza esta é a primeira de muitas outras matérias e divulgações. Acreditamos que disseminar ideias que reúnam sustentabilidade, educação, inovação e projetos sociais são maneiras de implementar a mudança dentro de cada cidadão, proporcionando, assim, transformações positivas necessárias para a vida em sociedade.

    Confira a matéria online aqui.