Autor: bart bijen

  • Como Fazer Cob

    Como Fazer Cob

    Uma vantagem significativa do cob é que ele pode ser feito usando materiais do próprio local da construção, tendo o cuidado de obtê-los de forma a reduzir ao máximo o impacto ambiental e necessitar do menor esforço possível. Ter a fonte próxima, como a terra resultante de escavações do próprio local ou adjacências, diminui os custos e a energia desprendida – principalmente para o transporte.

    Para a mistura do cob serão necessárias argila, areia e palha. Dependendo do seu solo, o teor de 50% de argila e 50% de areia ou 15% de argila e 85% de areia podem funcionar. A proporção dos materiais é flexível e também possibilita fazer correções com o acréscimo do componente faltante. A maioria dos solos areno-argilosos são apropriados, sendo necessário então só o acréscimo de palha.

    A palha serve para aumentar a resistência e também evitar rachaduras após a secagem. Sua incorporação, faz a mistura ficar mais seca, sendo necessária a adição de água para atingir a consistência ideal. Aqui na Eco Caminhos, obtemos palha roçando o capim e deixando-o secar ao sol por alguns dias.

    Para o preparo da mistura, você irá precisar de um local livre, plano e uma lona para jogar a terra. Irá misturar e amassar o barro, com a adição de palha e de água até conseguir uma consistência firme, mas ainda assim plástica. Essa mistura pode ser feita manualmente em grupo (utilizando pás e amassando o barro com os pés) ou com a ajuda de maquinário para acelerar o processo.

    É importante fazer testes para descobrir uma boa mistura para o seu solo. Você pode fazer tijolos de testes, tentando várias receitas e combinações e percebendo quais se mantém melhor e são mais fáceis de se confeccionar. A areia em excesso faz o tijolo esfarelar quando seco, e a argila em excesso faz o tijolo se quebrar. A quantidade de palha é difícil de quantificar, mas é importante que cada palha esteja envolta da mistura de terra.

    Uma boa combinação de mexida e compressão é uma grande parte da mágica que transforma os ingredientes do cob. Em pouco tempo de familiarização você irá começar a ter o tato para fazê-lo. Confie em si mesmo. Experimente!

  • O que é cob?

    O que é cob?

    Aqui na Eco Caminhos utilizamos muito o cob. Mas o que exatamente é o cob?

    Cob é uma técnica de bioconstrução que consiste em argila, areia e palha, misturados com acréscimos de água. Por ser uma construção de terra tem um impacto ambiental baixíssimo, permite uso de materiais locais – retirados das proximidades de onde vivemos – e resulta em construções belíssimas!

    Colmeia: nossa primeira casa bioconstruída aqui na Eco Caminhos.

    O termo cob surgiu na Inglaterra medieval. No entanto, como uma técnica de construção, foi desenvolvido de forma independente por várias culturas de todo o mundo desde os tempos antigos. Algumas das construções mais antigas do mundo foram feitas com essa técnica e muitas sobreviveram até hoje devido à durabilidade da estrutura! Por conta desse histórico longo e multicultural, é importante notar que o cob também tem muitos outros nomes (como adobe). Mais recentemente, a técnica foi resgatada na Europa e nos Estados Unidos na década de 70, quando notaram a maior durabilidade dessas construções em comparação com construções modernas.

    O processo de confecção do cob é simples. É feita uma mistura da argila, areia e palha, resultando em uma massa homogênea e plástica. Fazendo bolas, as empilhamos uma em cima da outra, levantando e moldando assim as paredes.

    Cob é uma mistura de areia, argila e palha, resultando em uma massa homogênea e plástica.

    Essa plasticidade do cob oferece uma liberdade de construir em estilo e formatos variados. Não por coincidência é muito utilizado dentro da bioconstrução. Permite a construção desde casas mais convencionais – com paredes retas – até casas não convencionais, com formatos alternativos, com curvas e arcos. Também possibilita a inclusão de outras técnicas na obra – aqui a combinamos com a de pau a pique (taipa de mão) – e, durante a execução das paredes, permite que se faça o encaixe de qualquer objeto, como garrafas, esquadrias e até mesmo embutimento de parte do mobiliário feitos com a própria mistura.

    Apesar da simplicidade, o cob é uma técnica extremamente segura, sustentável, durável e que proporciona ambientes muito agradáveis. As paredes grossas têm ótimo isolamento térmico, já que a construção com terra crua controla a entrada e saída de calor e umidade, o que, por sua vez, reduz o consumo de energia para aquecimento e resfriamento.

    As casas de cob costumam ser muito bonitas, pois permitem uma liberdade de construção e uma integração com a paisagem natural. São sustentáveis e ecológicas, além de chegar a superar as construções convencionais em vários quesitos! Confira alguns de nossos projetos feitos com cob clicando aqui!

  • Desenvolvimento pessoal e profissional no programa de Jovem Aprendiz da Eco Caminhos

    Desenvolvimento pessoal e profissional no programa de Jovem Aprendiz da Eco Caminhos

    A Eco Caminhos realiza uma missão social voltada à capacitação e aprendizagem de jovens brasileiros de baixa renda ou em situação de vulnerabilidade social e, diante dessa proposta, possui o projeto de Jovem Aprendiz. Atualmente, moram e trabalham na ecofazenda dois rapazes nesse programa: Marcelino e Cleiton.

    Os jovens mostram motivação e são instruídos nas diversas áreas de atuação da ecofazenda, como: bioconstrução, agrofloresta e agricultura orgânica. Além de estarem aprendendo a viver em comunidade e seguindo os fundamentos da permacultura. Aqueles que precisam terminar os seus estudos, são matriculados e conciliam o trabalho com as tarefas escolares.

    Workshop com jovens aprendizes sobre aprendizagem em agricultura

    Experiência e Aprendizagem

    O programa é completo, não só como uma oportunidade de aprendizado nessas áreas, mas também no crescimento pessoal. Cleiton já esteve na fazenda anteriormente, porém foi desligado devido ao comportamento e a falta de motivação. Pediu uma segunda chance e agora, determinado a crescer pessoal e profissionalmente, ele aperfeiçoou os conhecimentos adquiridos na estadia anterior e conseguiu um trabalho remunerado como assistente de bioconstrução em uma obra projetada pela Eco Caminhos.

    Jovens aprendizes aprendizagem em peneirar

    Aprender a conviver com pessoas de todo o mundo aumenta o conhecimento de novas culturas, senso de desenvolvimento comunitário, se tornando parte de uma equipe e tirando o foco individual, e no desenvolvimento de responsabilidades e de habilidades nas tarefas caseiras. Como o Marcelino, que aprimorou o gosto pela agricultura orgânica e estudou sobre a implementação de uma agrofloresta, além de aprender a cozinhar, para si e para todos que habitam aqui, e melhorar na comunicação a partir da convivência com diversas pessoas.

    Jovem Aprendiz aprendizagem cortando bananeira

    A Eco Caminhos acredita no desenvolvimento pessoal daqueles que entram em contato direto com a natureza, aprendem a importância da agricultura orgânica e da construção natural. Durante os primeiros seis meses do ano de 2020, outro rapaz participou do programa e se desenvolveu muito na área de agrofloresta e na implementação de sistemas de irrigação. Além disso, agregou conhecimento em inglês, devido às aulas de inglês que organizamos na fazenda, e melhorou no convívio social. Porém, é essencial que o jovem esteja aberto a aprender e ter motivação e, na falta dessas características, solicitamos que se retire da fazenda.

    Mais benefícios do Programa

    Jovens Aprendizes aprendizagem na ecofazenda

    Os rapazes possuem acomodação, alimentação, aprendizado completo e uma ajuda de custo de R$400,00, para auxiliar os familiares, no transporte e em seus projetos pessoais. A Eco Caminhos incentiva o crescimento pessoal e profissional de pessoas que necessitam e acredita que a educação é a melhor maneira de melhorar de vida e criar uma sociedade mais igualitária e segura.

  • Sarita | Austríaca fala da sua experiência no voluntariado de curto prazo na fazenda ecológica

    Sarita | Austríaca fala da sua experiência no voluntariado de curto prazo na fazenda ecológica

    A Eco Caminhos possui diversos programas para voluntários, sendo um deles o voluntariado de curto prazo. Sarita Schenkermayr, 29 anos, participou da experiência por 4 meses. Ela conta como foi a sua rotina e o que a ecofazenda agregou de positivo para a sua vida.

    “O que eu estava procurando na fazenda foi, primeiramente, experimentar a vida calma e tranquila da área rural brasileira, enquanto aprendo sobre agricultura orgânica e construção natural, conhecer mais o Brasil e aperfeiçoar o meu português”.

    Sarita ficou na fazenda ecológica entre Janeiro e Abril de 2020 e relata como foi a sua vivência, mesmo com as adversidades geradas pelo COVID-19:

    “Cardinot é um bairro bem isolado, então estávamos relativamente seguros e distantes dos focos do corona vírus e, além disso, ainda podíamos andar livremente e explorar a grande área da fazenda, aproveitando bem a natureza. As montanhas, florestas e cachoeiras formam um pequeno paraíso na terra, com um surpreso clima europeu, e eu nunca me cansava de aproveitar os meus dias ao ar livre”.

    Sarita explica como era a sua rotina na fazenda e o que pode aprender e colocar em prática:

    “Cada a semana era um pouco diferente, mas normalmente as funções e áreas de atuação eram decididas durante a reunião semanal nas quintas-feiras.

    O dia começa bem cedo na fazenda: às 7h, pontualmente, todos devem estar prontos para subir na caminhonete e seguir a colina acima para a área da bioconstrução ou a horta e agrofloresta. Antes do almoço às 12h, tem uma pequena pausa para o café, em torno de 9h30, e o trabalho termina por volta de 16h ou 16h30.

    Como voluntária de curto prazo, eu tinha as terças-feiras e quintas-feiras livres e nos dias de trabalho eu, na maioria das vezes, ajudava na horta ou na agrofloresta, colhendo, coletando e arrumando o material orgânico para os canteiros dos vegetais e plantando, tudo isso com explicação e orientação de como fazer e o porquê.

    agroforestry-organic-farming

    Durante a minha estadia na Eco Caminhos, as paredes da construção natural do Eco Lodge estavam finalizando e teve mais algumas semanas intensas, nas quais todos estavam trabalhando nisso, adicionando à mão e aos poucos pedaços o material ecológico no topo das paredes. Nos dias de chuva forte, mudavam para um trabalho coberto, como por exemplo, terminar as paredes internas do galinheiro. Muitas vezes, nós trabalhávamos na chuva, então eu recomendo levar uma capa de chuva e galochas.

    A maioria dos voluntários cozinhavam o almoço para todos, então uma ou duas vezes por semana eu utilizava a manhã para cozinhar (geralmente, arroz, feijão, salada e variando os acompanhamentos) e muitas vezes com mais uma pessoa.

    Na volta para a casa dos voluntários, todos estavam livras para fazer o que quiserem. Nas terças tinha a opção de participar das aulas de Inglês, como também, das aulas de Português nas quintas. Nas noites de quarta-feira, tínhamos a noite dos voluntários, que resumia em lanchar e sentar em volta da fogueira, mas também teve dias em que jogamos e fizemos uma noite de karaokê. E nos finais de semanas, podíamos utilizar o projetor e ver filmes juntos.

    Os finais de semana eram livres também e, para os voluntários, normalmente tem uma atividade planejada. Nas semanas que estive lá, por exemplo, eu visitei muitas cachoeiras, fiz trilhas, viajei para uma praia a umas horas de distância, visitei uma queijaria local e uma antiga plantação de café, fiz passeio a cavalo e fui à cidade comer açaí e pizzas brasileiras”.

    Sarita salienta que está feliz com a experiência que teve na fazenda ecológica.

    “Eu estou agradecida e feliz pela minha experiência e ansiosa para ver como aquela pequena fazenda permacultural, lutando para ser autossustentável, vai se desenvolver no futuro”.

    Confira as oportunidades de voluntariado e participe do nosso projeto!

  • Eco Caminhos traz o estilo de vida como solução em momentos de crise e adversidades mundiais

    Eco Caminhos traz o estilo de vida como solução em momentos de crise e adversidades mundiais

    Membros da Eco Caminhos ressaltam o como a vida numa fazenda autossuntentável traz benefícios para quem vive nesse estilo e também como é possível ajudar as pessoas que necessitam nos momentos de crise e instabilidade global.

    A vida numa ecofazenda está sempre em constante movimento e aprendizado, tanto físico quanto mental. Esse caminho mostra importância de cultivar seus próprios alimentos e projetos de construção todos os dias, mesmo em momentos de adversidades.

    A quarentena e dificuldades geradas pelo COVID-19 trouxeram reflexões sobre o que poderia ser feito em benefício dos habitantes da ecofazenda e como poderia ajudar a comunidade local. Bart Bijen, responsável da Eco Caminhos, entrou em parceria com a campanha SOS Favelas, uma realização do Viva Rio e da Academia Pérolas Negras, para realizar a doação de 50 cestas básicas para famílias carentes de Cardinot.

    Além dos alimentos da cesta básica e produtos de higiene pessoal, a Eco Caminhos aumentou a sua produção e doou produtos orgânicos da horta, como alface, chicória e hortelã, e também obteve doações de outros membros da comunidade, que trouxeram couve-flor e chuchu.

    “Além das cestas, conseguimos também vários legumes, como couve-flor e alface, que estamos complementando as cestas. Gostaria de agradecer a todas as pessoas que ajudaram e que participaram da campanha. Estamos muito agradecidos em poder ajudar”, disse Bart.

    A entrega das cestas foi realizada durante um dia, com o cadastro prévio das famílias beneficiadas, espaçamento de horários para evitar aglomerações, equipe com máscaras e álcool em gel disponível para todos.

    Para disseminar esse pensamento solidário, a equipe da Eco Caminhos produziu um vídeo sobre a campanha:

     

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    A Eco Caminhos, fazenda autossustentável localizada nas montanhas de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Brasil, recebe voluntários de diversos países e busca alinhar a vivência em comunidade com o estilo de vida junto à natureza. O projeto reúne pessoas para aprenderem sobre permacultura, bioconstrução, agrofloresta, agricultura orgânica e a crescer pessoalmente.